O LOUVOR É TRANSCEDENTE

terça-feira, 16 de julho de 2013

Cristianismo nos séculos XI e XII


ÉCULO XI


1054 – A GRANDE DIVISÃO ENTRE IGREJA ORIENTAL E OCIDENTAL
Vagarosamente afastava-se a Igreja em seus extremos geográficos;
Algumas diferenças separavam as instituições:
O Oriente usava o Grego e o Ocidente o Latim;
Haviam diferenças na forma da missa, no pão utilizado e nas datas da quaresma;
No Oriente o Clero podia se casar e utilizava barba;
No Ocidente era obrigatória a castidade aos clérigos;
Oriente não aceitava a idéia de purgatório;
Ocidente dizia que o Espírito Santo advinha do Filho.
Em 1043 Miguel Cerulário tornou-se patriarca de Constantinopla;
1049 Leão IX tornou-se papa;
Leão IX queria que Miguel se submetesse a Roma e enviou homens a Constantinopla com essa finalidade, porém Miguel negou-se a recebe-los;
Assim, o Ocidente Excomungou Miguel e este, por sua vez excomungou Leão IX;
Ambos afirmaram que o outro não era um cristão verdadeiro.
Assim, uma Igreja não reconhecendo a outra, tornaram-se separadas. Este foi o Cisma.



1073 – GREGÓRIO VII EMPREENDE REFORMAS NA IGREJA ROMANA.
Citar Gonsalez:
“Quando ascendeu ao papado Hildebrando tomou o nome de Gregório VII, e imediatamente tomou as primeiras medidas visando a re:alização dos seus ideais. De Constantinopla vieram petições para que ele auxiliasse a igreja do Oriente, assediada pelos turcos seljúcidas. Gregório viu nisto uma oportunidade de estreitar os vfnculos com os cristãos orientais, e talvez estender a autoridade romana para o Oriente. Em sua corres¬pondência da época podemos ver que ele sonhava com um grande empreendimento militar, no estilo das cruzadas que começariam pouco tempo depois, com o propósito de derrotar os turcos e conquistar a gratidão de Constantinopla. Porém na Europa ninguém respondeu ao seu chamado, mesmo quando o papa, como recurso extremo, se ofereceu para comandar as tropas pessoalmente. Em pouco tempo Gregório teve de abaJ1¬donar o projeto.
Na Espanha a situação era parecida. Como veremos mais adiante, era a época da reconquista das terras que por quase quatro séculos estiveram dominadas pelos mouros. Na França havia nobres que olhavam com cobiça para as terras ibéricas, e que queriam participar da reconquista para se apossar delas. Com o propósito de dar apoio legal à sua empresa alguns destes nobres argumentavam que a Espanha pertencia a São Pedro, e que, por isto, era em nome do papado, e com vassalos seus, que empreendiam a reconquista. Gregório incentivou estas pretensões, mas o resultado foi nenhum, pois por diversas razões as intenções francesas na Espanha não foram concretizadas.
Frustrado em seus projetos tanto no Oriente como na Espanha, Hildebrando dedicou todos seus esforços à reforma da igreja. Para ele, como para os papas que o tinham precedido, esta reforma deveria começar pelo clero, e seus dois objetivos iniciais eram abolir a simonia e instituir o celibato eclesiástico. Na quaresma de 1074 um concrlio reunido em Roma voltou a condenar a compra e venda de cargos eclesiásticos e o casa¬mento dos clérigos. Isto não era novidade, pois desde o tempo de Leão IX os decretos contra a simonia e o casamento tinham se sucedido quase ininterruptamente. Gregório, porém, adotou medidas novas, com que queria conseguir que seus decretás fos¬sem obedecidos. A primeira foi proibir ao povo assistir aos sacramentos administrados por simoníacos. A segunda consistiu em nomear legados papais que viajaram por diversos territórios da Europa, convocando sínodos e procurando de diversas ma¬neiras fazer com que os decretos papais fossem cumpridos ao pé da letra. Todos estes acontecimentos convenceram Gregório que era necessário continuar o processo de centralização eclesiástica que seus predecessores tinham começado. Até então os bispos metropolitanos tinham tido certa independência, e a autoridade papal tinha sido mais nominal que real. Tendo em vista a opo¬sição geral aos decretos de reforma, Hildebrando chegou à conclusão que era necessário aumentar a autoridade papal, a fim de que suas ordens fossem obedecidas. Em conseqüên¬cia, sob seu pontificado as pretensões da sede romana chegaram a um nível sem precedentes. Se bem que Gregório nunca chegou a promulgar todas as suas opiniões com respeito ao papado, estas estão registradas em um documento de 1075. Nele Gre¬gório afirma não só que a igreja romana foi fundada pelo Senhor, e que seu bispo é o único que pode receber o trtulo de "universal", mas também que o papa tem autoridade para julgar e depor os bispos; que o Império lhe pertence, de tal modo que é ele quem tem o direito de outorgar as insígnias imperiais, assim como de depor o imperador; que a igreja de Roma nunca errou nem pode errar; que o papa pode declarar nulos os juramentos de fidelidade feitos por vassalos a seus senhores; e que qualquer papa legítimo, somente pelo fato de ocupar a cátedra de São Pedro, e em virtude dos méritos
deste apóstolo, é santo.” p.26 – 30



1095 – PAPA URBANO II PROPÕE A PRIMEIRA CRUZADA;
As peregrinações: uma situação problemática.
Cito Gonsalez:
“Desde o século IV as peregrinações até a Terra Santa tinham ficado cada vez mais populares. Já antes surgira o costume de visitar os túmulos dos mártires no aniversário da sua morte. Agora o Império era cristão, e era possível fazer peregrinações mais longas, até a Terra Santa ou Roma, onde descansavam os restos mortais de São Pedro e São Paulo. A mãe de Cons¬tantino, Helena, creu ter descoberto em Jerusalém os restos da "vera cruz". Esta descoberta, e as bas íI icas que ela e vários imperadores mandaram construir, aumentaram a fascinação dos cristãos pela Terra Santa. Ao mesmo tempo vários dos "gigantes" a que dedicamos nosso segundo volume atacaram as peregrinações, dizendo que se tratava de superstição, e que em todo caso havia mais mérito em ficar em casa e fazer o bem do que marchar até algum distante lugar por motivos religiosos.
Apesar desta oposição, durante a "era das trevas" as peregrinações ficaram cada vez mais populares. Não demorou e elas foram consideradas como uma forma de penitência adequada para certos pecados. Em alguns documentos do sé¬culo VII vemo-Ias incluídas entre as penitências que é lícito im¬por a um pecador. Mesmo havendo outros lugares de peregrina¬ção, o de maior prestígio, tanto pela distância como por sua im¬portância histórica, naturalmente era a Terra Santa.
Quando os árabes tomaram os lugares sagrados do cris¬tianismo, algumas pessoas temeram que as peregrinações à Terra Santa seriam dificultadas sobremaneira. Mas os governantes árabes em sua maioria se mostraram extremamente benevolentes para com os peregrinos cristãos, que continuaram afluindo para Jerusalém e os lugares santos. Como muitas vezes os mares não eram seguros, por causa da pirataria, a rota mais comum dos peregrinos do Ocidente os levava primeiro até Constantinopla, e dali por terra, através da Anatólia e da Síria, até Jerusalém.” p.48
Veja abaixo, na íntegra o Discurso de Urbano II para convocar os Francos a lutarem ao lado dos Cruzados:
“Ó Francos, de quantas maneiras Nosso Senhor os abençoou? Vejam quão férteis são suas terras. Quão verdadeira é sua fé. Quão indisputável é sua coragem. A vocês, abençoados homens de Deus, dirijo essas palavras. E que não sejam levadas levianamente, pois são expressas pela Santa Igreja, que, pelo sagrado pacto com Nosso Senhor, é Sua santíssima voz na terra. Vós que sois justos e bons, vós que brilhais em santa fé escutai. Que saibam de justa e grave causa que nos reúne hoje aqui, sob o mesmo teto, na piedade de Nosso Senhor. Relataremos fatos horríveis. Ouvimos sobre uma raça de homens saídos de presença profana e falta de fé. Turcos, Persas, Árabes, amaldiçoados, estranhos a nosso Deus, que devastam por fogo ou espada as muralhas de Constantinopla, o Braço de São Jorge. Até hoje, por misericórdia do Supremo, Constantinopla foi nossa pedra, nosso bastião de fé em território infiel. Agora essa sagrada cidade encontra-se desfigurada, ameaçada. Quantas igrejas esses inimigos de Deus poluíram e destruíram? Ouvimos de altares e relíquias sendo dessecrados por sujeira produzida por corpos Turcos. Ouvimos sobre verdadeiros crentes sendo circuncidados e o sangue desse ato sendo vertido em pias batismais. O que podemos dizer a vocês? Turcos transformam solo sagrado em estábulo e chiqueiro, expelem o conteúdo de seus fétidos e putrefatos corpos em vestimentas dos emissários da palavra de Nosso Senhor. Os descrentes forçam Cristãos a ajoelhar sobre essas roupas imundas, curvar as cabeças e esperar o golpe da espada. Essas vestes, que através da imundície e sangue são testemunhas de aberrações na falta da verdadeira fé, são exibidas junto com corpos dos mártires. O que mais devemos lhes dizer, ó fieis? Turcos abusam de mulheres Cristãs. Turcos abusam de crianças Cristãs. Pensem nos peregrinos da fé que cruzam o mar, obrigados a pagar passagem em todos os portões e igrejas de todas as cidades. Quão freqüente esses irmãos no sangue do Cristo passam por humilhações e falsas acusações? Aqueles que crêem em pobreza, como são recebidos nesses lugares de nenhuma fé? São vasculhados em busca de moedas escondidas. As calosidades em seus joelhos, causadas pelo ato de fé ao Nosso Senhor, são abertas por lâminas. Aos fiéis são dadas bebidas de natureza vomitória para que sejam vasculhadas suas emissões estomacais. Após isso são ainda obrigados a sorver excremento liquefeito de bodes e cabras de forma a esvaziar suas entranhas. Se nada for encontrado que satisfaça essas crias infernais, ó fieis, escutem. Turcos abrem com lâmina da espada as barrigas dos verdadeiros seguidores, em busca de peças de ouro ingeridas e assim escondidas. Espalham e retalham entranhas mostrando assim o que a natureza manteria secreto. Tudo a procura de riquezas ou por prazer insano. Turcos perfuram os umbigos dos fiéis, amarram suas tripas a estacas e afastam os Cristãos, prendendo-os com cordas a outro poste, de forma a que vejam suas próprias entranhas endurecendo ao sol, apodrecendo e sendo consumidas por corvos e vermes. Os Turcos perfuram irmãos na fé com setas, fazem dos mais velhos alvos móveis para seus malditos arcos. Queimam os braços e pernas dos mártires até o negro e soltam cães famintos para os devorar, ainda vivos. Ó Francos, o que dizer? O que mais deve ser dito? A quem, pois, deve ser dirigida a tarefa de vingança tão santa quanto a espada de São Miguel? A quem Nosso Senhor poderia confiar tal tarefa senão aos seus mais abençoados e fiéis filhos? Ó Francos, vocês não são habilidosos cavaleiros? Poderosos guerreiros na palavra de Deus? Próximos a São Miguel na habilidade de expurgar o mal pela espada? Dêem um passo a frente! Não mais levantarão as espadas entre si, ceifando vidas e pecando contra A palavra. Aproximem-se guerreiros abençoados. Os que dentre vocês roubaram tornem-se agora soldados, pois a causa é suprema. Aqueles que cultivam mágoas juntem-se aos seus causadores, pois a irmandade é essencial ao objetivo. Aproximem-se os que desejam vida eterna, aproximem-se os que desejam absolvição no sagrado.
Saibam que Nosso Senhor espera seus filhos em lugar abençoado. Na palavra do Santíssimo seguirão e combaterão, não deixem que obstáculos os parem, creiam Na palavra e nada os deterá. Deixem todas as controvérsias para trás! Unam-se e acreditem! Não permitam que posses ou família os detenham. Lembrem-se das palavras de Nosso Salvador, “Aquele que abandonar sua morada, família, riqueza, títulos, pai ou mãe pelo meu nome, receberá mil vezes mais e herdará a vida eterna”. Se os Macabeus dos tempos de outrora conquistaram glória pela sua luta de fé, da mesma forma a chance é ofertada a vocês. Resgatem a Cruz, o Sangue e a Tumba. Resgatem o Gólgota e santifiquem o local.
No passado vocês não lutaram em perdição? Não levantaram aço contra iguais? Orgulho, avareza e ganância não foram suas diretivas? Por isso vocês merecem a danação, o fogo e a morte perpétua. Nosso Senhor em sua infinita sabedoria e bondade oferece aos seus bravos, porém desvirtuados filhos, a chance de redenção. A recompensa do sagrado martírio.Ó Francos,ouçam! Deixem a chama sagrada queimar em seus corações! Levem justiça em nome do Supremo! Francos! A Palestina é lugar de leite e mel fluindo, território precioso aos olhos de Deus. Um lugar a ser conquistado e mantido apenas pela fé. Pois chamamos por suas espadas! Lutem contra a amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada, Jerusalém, fértil acima de todas outras. Glorifiquem suas peregrinações para o centro do mundo, consagrem-se em Sua paixão! Alcancem a redenção pela Sua morte! Glorificado pelo Seu túmulo! O caminho será longo, a fé no Onipotente tornar-lhe-á possível e frutífera. Não temam Francos! Não temam tortura, pois nela reside a glória do martírio! Não temam a morte, pois nela reside a vida eterna! Não temam dor, pois serão resignados!
Os anjos apresentarão suas almas a Deus, o Santíssimo será glorificado pelos atos de seus filhos! Vejam a sua frente aquele que é voz de Nosso Senhor! Sigam Sua presença e palavras eternas! Marchem certos da expiação de seus pecados, na certeza da glória imortal. Deixem as hordas do Cristo Rei se atracar com o inimigo! Os anjos cantarão suas vitórias! Que os conhecedores Da palavra entrem em Jerusalém portando o estandarte de Nosso Senhor e salvador! Que o símbolo da fé seja mostrado em vermelho sobre o imaculado branco, pureza e sofrimento expressados! E que Sua palavra se faça ouvida como retumbante trovão, trazendo medo e luz para os infiéis! Que agora o exército do Deus único grite em glória sobre os Seus inimigos!”
“Louvado seja o Senhor meu Deus!” Gritaram as centenas de cavaleiros Francos reunidos no campo de Clermont.
Cito Curtis:
“A partir de 1088, um francês, que passou a ser conhecido por Urbano 11, assumiu o cargo máximo da igreja. Seu papado foi marcado por dispu¬tas com o rei alemão Henrique IV¬uma continuação, infrutífera, das políticas reformista de Gregório VII. O novo papa não estava plenamente disposto a continuar essa batalha. Em vez disso, queria unir toda a cristan¬dade. Quando o imperador AI e ixo de Constantinopla apelou ao papa, pe¬dindo ajuda para lutar contra os tur¬cos muçulmanos, Urbano percebeu que um inimigo comum poderia aju¬dar a alcançar seu objetivo.
Pouco importava que o papa ti¬vesse excomungado o patriarca de Constantinopla e que os católicos e os ortodoxos do Oriente não fizes¬sem parte de uma única igreja. Ur¬bano buscava obter o controle sobre o Oriente, enquanto encontrava dis¬tração para os príncipes briguentos do Ocidente.
Em 1095, Urbano convocou o Concílio de Clermont.Ali, ele pre¬gou um sermão inspirador: "Uma horrível notícia está sendo propaga¬da [ ... ] uma raça amaldiçoada e to¬talmente alienada de Deus [ ... ] inva¬diu as terras dos cristãos e os expul¬sou por meio da espada, da pilhagem e do fogo". Ele fez o seguinte apelo:
"Devemos retomar as terras da mão destes infiéis”
"Deus vult! Deus vult!" ["Deus deseja isso!"], gritava a multidão. E esse se tornou o grito de guerra das Cruzadas.
À medida que os representantes do papa atravessavam a Europa, re¬crutando cavaleiros para ir à Palesti¬na, recebiam entusiásticas reações dos guerreiros franceses e dos. italia¬nos. Muitos foram motivados por objetivos religiosos, mas, sem dúvi¬da, outros se engajaram em função do ganh~ econômico e da aventura de recapturar os locais de peregrina¬ção da Palestina, que haviam caído nas mãos dos muçulmanos.
Provável que os guerreiros se sen¬tissem virtltosos ao assassinar um ini¬migo não-cristão.A matança dos árabes que tomaram a Terra Santa cristã po¬deria parecer um ato de serviço a Deus.
Para encorajar as Cruzadas, Urba¬no e os outros papas, os que vieram depois dele, enfatizaram os ~¬cios" espirituais da guerra contra os muçulmanos. Arrancando uma pági¬na do Alcorão, Urbano assegurou que •os guerreiros que experimentassem essa penitência entrariam no céu diretamente - ou, pelo menos teríam uma redução no tempo que passariam no purgatório.
Em seu caminho para a Terra Santa, os cruzados pararam em Constan¬tinopla. O tempo que passaram ali mostrou uma coisa: a união entre o Oriente e o Ocidente continuava im¬provável. O imperador via os guer¬reiros vestidos de malhas de ferr~ como ameaça a seu trono. Quando os cruzados descobriram que Aleixo fizera tratados com os turcos, senti¬ram que esse "traidor" negara a pri¬meira parte de sua missão: expulsar os turcos de Constantinopla.
Com provisões forneci das pelo imperador, o exército se encaminhou para o sul e para o leste, capturando as cidades de Antioquia e Jerusalém. Depois da vitória na Terra Santa, hou¬ve um banho de sangue. "Não faça prisioneiro algum”, era a tática que os cruzados usavam. Um observador apaixonado escreveu que os soldados "cavalgavam com sangue chegando
a altura de suas rédeas".
Depois de estabelecer o Reino Latino de Jerusalém e indicar Godofre¬do de Bouillon como seu governador, eles saíram da~fensiva para a de¬fensiva. Começaram a construir no¬vos castelos, alguns dos quais perma¬necem até hoje.
Nos anos que se seguiram, novas ordens religiosas com características militares e monásticas, foram forma¬das. A mais famosa foi a dos Cavaleiros Templários e a dos Çavaleiros Hospitalários. Embora essas ordens tives¬;msido criadas originariamente para ajudar os cruzados, elas se tornaram organizações militares poderosas que agiam de maneira independente.
A primeira Cruzada seria a mais bem-sucedida. Embora esses esforços militares tivessem sido drarnáticos e pitorescos, não conseguiram manter os muçulmanos à distância. Em 1291, as tropas muçulmanas capturaram a cidade de Acre, pondo um fim definitivo às Cruzadas.” p.83 – 84
Tomada de Jerusalém, em 1099. 



SÉCULO XII



1147 – A SEGUNDA CRUZADA
Cito Anglin:
“As nossas referências ao século XII ficariam incomple¬tas se deixássemos de falar das outras cruzadas. O ano de 1147 é notável por ser o ano em que teve lugar a segunda cruzada contra os maometanos. Durante bastantes anos o poder dos cruzados na Síria e Palestina vinha diminuindo cada vez mais, e os soldados da cruz, como lhes chama¬vam, tinham-se entregado a uma vida de luxúria e ociosidade - tentações próprias dos países do Oriente. Os mao¬metanos, aproveitando-se destas circunstâncias, reuniram as suas forças, e depois de embaraçarem os cristãos e de os enfraquecerem consideravelmente com várias escaramu¬ças, conseguiram tomar posse novamente de Edessa e esta¬vam concentrando a sua atenção sobre Antioquia.
Os cruzados, tendo a consciência da sua fraqueza, fica¬ram deveras alarmados, e enviaram mensagem a Roma implorando socorro; e foi esta a origem da segunda cruza¬da. O papa Eugênio IV satisfez o pedido, e confiou pruden¬temente a pregação da cruzada a Bernardo de Clairvaux. Além da muita eloqüência do ilustrado abade, tudo quan¬to ele dizia tinha um grande peso moral que o devia fazer ganhar qualquer causa que advogasse; e a confiança que o papa depositou nele foi bem cabida. O rei da França e o imperador da Alemanha responderam ambos à chamada. Depois de reunirem 900.000 homens em volta da bandeira da cruz, este grande exército dividiu-se em duas partes e marchou para a Palestina. Mas a infelicidade acompa¬nhou-os em todos os seus passos, e o resultado da empresa foi miserável e humilhante. Só uma pequena parte do exército francês chegou à Terra Santa, e os seus chefes nada puderam fazer devido às invejas e dissensões entre os soldados. No ano de 1149 o resto do exército desbaratado voltou para a Europa, tendo morrido muitos milhares de homens na empresa.” p.149-150




1148 – GRACIANO FORMULA A LEI CANÔNICA DA IGREJA ROMANA
Cito Durant:
“Realmente, o campo que a lei canânica abrangia era maior do que de qualquer ou• tro código civil contemporâneo. Abrangia não somente a estrutura, dogmas e funcio¬namento da Igreja como também as regras para tratar com os não cristãos em terras cristãs, o processo para a investigação e supressão da heresia e organização das Cruzadas, leis do matrimônio, legitimidade, doações, adultério, divórcio, heranças, regula¬mentos para as escolas e universidades, juramento, perjúrio, sacrilégio, blasfêmia, si• monia, libelo, usura e preço justo, tréguas de Deus e outros meios de limitar a guerra e organizar a paz, direção dos tribunais episcopais e papais, emprego da excomu¬nhão, anátema e interdição, aplicação das penas eclesiásticas, relações entre os poderes civis e eclesiásticos, entre o Estado e a Igreja. Esse vasto corpo da legislação da Igre¬ja aplicava-se a todos os cristãos. A Igreja se reservava o direito de punir qualquer in¬fração com uma variedade de penalidades físicas ou espirituais, salvo o fato de que nenhum tribunal poderia dar uma "sentença de sangúe" - isto é, não poderia condenar ninguém à pena capital.” p.674



1179 – MORRE PEDRO WALDO, UM MISSIONÁRIO ESPECIAL.
Citar Anglin:
“Mas a luz mais brilhante desse século foi talvez Pedro Waldo, o piedoso negociante de Lyon. A morte súbita de um amigo despertou-lhe pensamentos sérios, e ele tomou¬se um atento leitor das Escrituras Sagradas. Distribuiu seus bens pelos pobres, dedicou o resto de sua vida a prati¬car atos piedosos. Um conhecimento mais amplo da Bíblia fez-lhe perceber a corrupção no sistema rdigioso que então predominava e levou-o por fim a repeli-Io como cristão. Entretanto estava também ansioso por livrar outros do es¬tado tenebroso em que ele também se encontrara havia ainda tão pouco tempo, e começou a andar por um lado e outro, a fim de pregar as riquezas insondáveis de Cristo. Um dos seus adversários, Stephanus de Borbonne, infor¬ma-nos que Waldo era aplicado ao estudo dos primeiros ensinadores da igreja e prestava muita atenção à leitura da Bíblia, e por isso tornou-se tão familiar com este livro, que tinha tudo gravado na memória, e determinou procurar aquela perfeição evangélica que distinguiu os apóstolos. Stephanus informa-nos mais que, tendo vendido todos os seus bens, e distribuído aos pobres o dinheiro resultante dessa venda, o piedoso negociante foi por diversos sítios pregando o evangelho e as coisas que sabia de cor, nas ruas e praças públicas. Entre outras coisas contadas pelo mes¬mo escritor, lemos que reunia à roda de si homens e mulhe¬res de todas as classes, mesmo das mais humildes, e confir¬mando-os no conhecimento do Evangelho mandava-os pe¬los países vizinhos para pregarem. Mas os passos que Wal¬do deu para a tradução dos Evangelhos em língua vulgar serão sempre considerados como a sua maior obra. Sem isto nunca poderia ter mandado para fora do país, com pa¬lavras de vida, os seus discípulos, porque eram ignorantes e as Sagradas Escrituras só se podia obter na língua latina.
A sua fidelidade, porém não podia deixar de ter oposi¬ção, e a notícia deste grande fato provocou logo a oposição do Vaticano. Enquanto Waldo se contentou com a insigni¬ficante tarefa de reformar a vida do clero, não sofreu gran¬de oposição, mas logo que tirou da bainha aquela terrível arma, a Palavra de Deus, e a colocou nas mãos do povo, declarou-se inimigo de Roma. Colocar uma Bíblia aberta nas mãos dos leigos era, nem mais nem menos que pertur¬bar os próprios fundamentos do papismo, porque a Palavra de Deus era o maior adversário de Roma. O. papa foi por isso muito pronto e decisivo, e mandou publicar uma exco¬munhão contra o honrado negociante. Ainda assim, a des¬peito da bula de Alexandre, Walde fico:u em Lyon mais três anos, muito ocupado a pregar e distribuir as Sagràdas Escrituras, e por este tempo, vendo d papa que ás medidas que tinha adotado não produziam efeiÜ:J, esténtleu as suas ameaças a todos os que estivessem em contãtõ com o here¬ge. Foi então que Waldo, por causa dos seus inimigos, dei¬xou a cidade e durante os quatro anos que ainda viveu foi como peregrino na face da terra, tendo, contudo, sido sem¬pre guardado pela providência de Deus de ser vítima da perseguição de Roma, e morreu de morte natural no ano 1179.” p.141




- A QUESTÃO DO PECADO E DA ÉTICA NA CRISTANDADE NESTE PERÍODO
Cito Durant:
“A Igreja acreditava que aquelas fontes de moralidade naturais ou seculares não eram suficientes para controlar os impulsos que preservam a vida nas selvas, mas que destroem a civilização, ou a ordem na sociedade. Tais impulsos são demasiado fortes' para que possam ser refreados por qualquer autoridade humana que não pode estar em toda a parte ao mesmo tempo, co,m a sua polícia atemorizadora. Um código profundamente moral que não for congênito à carne deve. para ser obedecido. trazer consigo o selo de urna origem sobrenatural. Deve trazer a sanção e o prestígio divinos a fim de set respeitado pelo indivíduo, na ausência de qualquer outra força, em todos os momentos e circunstâncias da vida. Até mesmo a autoridade dos pais, tão vital pa¬ra a mora I e a ordem social, desaparece na luta contra os instintos primitivos, a não ser que se apóie na crença religiosa que se inculcou no filho. Para salvar e servir a socieda¬de, a religião não deve opor aos instintos aquelas diretrizes feitas pelo homem e que possam ser duvidosas, mas sim os imperativos categóricos do próprio Deus. Os man¬damentos de Deus (tão pecador e selvagem é o homem) devem ser apoiados não so¬mente pelo louvor e respeito que se rendem para a eles obedecer, tampouco pela infe¬licidade e penas impostas por infringi-Ios, mas também pela esperança de se alcançar o céu pela virtude e o temor de ir para o inferno por causa do pecado que não tenha sido punido. Os mandamentos devem vir de Deus e não de Moisés.
A teoria biológica dos instintos primitivos que incapacitavam os homens para a ci¬vilização era simbolizada na teologia cristã pela doutrina do pecado original. A seme¬lhança da concepção hindu do karma, era uma tentativa de explicar um sofrimento aparentemente não merecido: os bons sofriam neste mundo em razão de algum peca¬do cometido pelos seus antepassados. De acordo com a teoria cristã, toda a raça hu¬mana traz em si o pecado de Adão e Eva. Disse Graciano no Decretum (ca. 1150), aceito pela Igreja em seus ensinamentos, porém não oficialmente: "Todo ser humano que for concebido pelo coito do homem com a mulher nascerá com o pecado original. ficará sujeito à impiedade e morte e será, portanto, um filhb do ódio." 1 Somente a graça divina e a morte redentora de Cristo é que poderiam salvá-Io do mal e do infer¬no (somente o exemplo do Cristo martirizado poderia redimir o homem da violência, volúpia e ambição, e salvá-Ia, juntamente com a sociedade, de destruição). Essa dou¬trina, combinada com as catástrofes da natureza, as quais pareciam inexplicáveis salvo como castigo pelos pecados cometidos, provocou em muitos cristãos medievais a idéia de que já nasciam impuros, depravados e culpados, idéia essa que encheu muitas pá¬ginas de sua literatura antes de 1200. Depois disso, até à Reforma, foi diminuindo muito tal concepção de pecado e temor, depois ela surgiu novamente com grande in¬tensidade entre os puritanos.
Gregório I e outros teólogos posteriores citaram sete pecados capitais - orgulho, avareza, inveja, ira, volúpia, gula e preguiça, aos quais opuseram as sete virtudes car¬deais: quatro "naturais" ou virtudes pagãs, enaltecidas por Pitágoras e Platão - sa¬bedoria, coragem, justiça e temperança, e três virtudes' 'teologais" - fé, esperança e caridade. No entanto, embora aceitasse as virtudes pagãs, o cristianismo jamais as as¬similava. Preferia a fé à sabedoria, a paciência à coragem, o amor e perdão à justiça, e a abstinência e pureza à temperança. Enaltecia a humildade, considerando o orgulho (tão preeminente no homem ideal de Aristóteles) o pior de todos os pecados mortais. Uma vez ou outra falava nos direitos do homem, insistia mais em seus deveres, não somente para consigo mesmo mas também para com seus companheiros, a Igreja e Deus. Ao pregar sobre a "delicada e bondosa figura de)esus", não se mostrou a Igreja receosa, de que isso transformasse o homem em uma criatura efeminada. De fato, os homens do mundo latino cristão eram mais viris - sem dúvida porque en¬frentavam maiores dificuldades - do que os seus modernos beneficiários e herdeiros. (...)
A ética cristã adotava para com os adolescentes uma política de silêncio a respeito do sexo. A maturidade financeira - a capacidade de sustentar a família - vinha muito depois da maturidade biológica, a capacidade de reproduzir. A educação se¬xual podia agravar as inquietações da abstinêncja, e a Igreja exigia abstinência pré¬nupcial como ajuda para a fidelidade conjugal, ordem social e saúde pública. Contu¬do. aos 16 anos um jovem da Idade Média já havia provavelmente tido várias expe¬riências de ordem sexual. A pederastia, que o cristianismo atacara fortemente no pas¬sado. tomou a surgir com as Cruzadas, com o áfluxo de idéias do Oriente e o isola¬mento unissexual de monges e freiras.6 Em 1177. Henrique, abade de Claraval, refe¬rindo-se à França, escreveu que "a antiga Sodoma estava surgindo de suas cinzas".7 Filipe. o Belo, acusou os Tempiários de praticarem atos homossexuais. O Penitencial. manual eclesiástico que impunha penitência pelos pecados cometidos. menciona a. ocorrência de atos verdadeiramente bestiais. Uma surpreendente variedade de ani¬mais recebia tais atenções.a Quando se descobriam tais ocorrências. ambos os partid- . pantes eran1 punidos com a morte. Os registros do Parlamento inglês contêm muitos casos em que cães, cabras. vacas. porcos e gansos eram queimados juntamente com se¬res humanos que neles satisfaziam seus instintos bestiais. Eram numerosos os casos de incesto.
As relações antes do casamento e fora dele já eram cultivadas em grande extensão. tanto quanto no século XX. A natureza promíscua do homem vencia os diques \evail¬tados pela legislação secular e eclesiástica. O rapto era ocorrê'neia comum,9 não obs¬tante. as severíssimas penas. Cavaleiros que serviam damas e jovens aristocráticas para
conseguir-lhes um beijo ou tocar-lhes nas mãos. podiam consolar-se com as criadas delas; algumas damas não podiam dormir com a consciência tranqüila enquanto não lhes tivessem proporcionado essa cortesia. 10 O cavalheiro de La Tour.Landry queixou¬se da fornicação entre os jovens da aristocracia. Declarou - se é que podemos dar crédito às suas palavras - que alguns homens daquela sociedade fornicavam•se na igreja, até mesmo "junto ao altar". Citou o fato de "duas rainhas que, em urna Quinta.Feira Santa ... entregaram-se a seus prazeres dentro da própria igreja enquan¬to se celebrava o ofício àivino" .11 Guilherme de Malmesbury descreveu a nob~eza normanda como "muito dada à gula e à volúpia" e que os homens costumavam tro¬car de concubinasl2 receosos de que a fidelidade viesse a tornar muito monótona a vi• da conjuga!. Era abundante o número de filhos ilegítimos na cristandade; isso serviu de enredo para centenas de livros. Os heróis de várias lendas da Idade Média eram bastardos - Cuchulain, Anur, Gawain, Rolando, Guilherme, o Conquistador. e muitos cavaleiros citados por Froissart em suas Crônicas.
A prostituição ajustava•se aos tempos. Segundo o bispo Bonifácio, algumas mulhe• res, por ocasião das romarias, ganhavam a sua passagem, vendendo•se nas cidades que atravessavam.13 Todo exército era seguido de outro exército, o qual era tão peri. goso quanto o inimigo. "Os cruzados", relata Alberto de Aix, "tinham' em suas fi• leiras urna multidão de mulheres que usavam roupas de homem; eias viajavam com eles em verdadeira promiscuidade.' '14 Disse Em•ad•Eddin, historiador árabe. que. durante o cerco de Acre (1189), "300 francesas muito bonitas ... haviam ali chegado para consolo dos soldados franceses ... pois estes últimos haviam dito que não luta¬riam se os privassem de mulheres". Ao saberem disso, os exércitos muçulmanos trata¬ram também de imitá•los.15 Segundo Joinville, os barões da primeira Cruzada de São Luís "instalaram bordéis nas imediações da tenda real" p.732



- O SURGIMENTO DA INQUISIÇÃO
No século XII muitas seitas haviam se espalhado pelo domínio católico, principalmente em resposta à vida rica e desregrada das lideranças da Igreja.
Cito Durant:
“Havia, em meados do século XII, considerável número de seitas heréticas nas cida¬des da Europa ocidental. "As cidades estão repletas desses falsos profetas",7 disse um bispo em 1190. Milão, sozinha, contava com 17 novas seitas.~ principais here¬ges ali eram os patarinos - cujo nome talvez se tivesse originado de Pataria, um quarteirão pobre da cidade. Parece que o movimento começara como protesto contra os ricos; transformou-se em anticlericalismo, condenou a simonia, a riqueza e o con¬cubinato do clero e propôs, na palavra de um chefe, "que se apropriassem da rlqueza do clero e a vendessem em leilão, e que se saqueassem as casas dos sacerdotes que opusessem resistência, enxotando da cidade esses bastardos". Outros grupos anticle¬ricais surgiram em Viterbo, Orvieto, Verona, Ferrara, Parma, Piacenza, Rimini ... As vezes chegavam a dominar as assembléias populares, apoderavam-se do governo da cidade e obrigavam o clero a pagar um tributo em prol dos empreendimentos cio vis.IO Inocêncio III deu instruções a seu emissário na Lombardia para que exigisse de todas as autoridades municipais o juramento de que não nomeariam hereges para as funções públicas. Era uma multidão, em Milão, "blasfemando e injuriando" , “eles profanaram varias Igrejas, com horrível torpeza."”p.688
. Podemos perceber no caso da seita Cátara, como andava a discussão teológica daquele período:
Citar Durant:
“Os Cátatos tinham sua teologia própria, dividiam seu credo em Bem, Deus, Espírito e Céu, e o universo material em Mal, Satanás e Matéria. Era Satanás, e não Deus, o criador do mundo visível. Toda a matéria era considerada um mal, inclusive a cruz em que Cristo morrera e a hóstia sagrada da eucaristia. Segundo eles, Cristo apenas falara em sentido figurado quando dissera do pão, .. Este é o meu corpo" .13 Toda car¬ne era matéria e qualquer contato com ela constituía um ato impuro. Toda união se¬xualera pecado. O coito havia sido o pecado de Adão e Eva.14 Os albigenses foram descritos pelos seus oponentes, como sendo a seita que não acreditava em sacramen¬tos, missas, veneração aos santos; Trindade e 'concepção da Virgem, e para a qual Cristo era um anjo e não o próprio Deus. Segundo se dizia, repudiavam a instituição da propriedade particular e queriam os bens para todos. 1I O Sermão da Montanha era a essência de sua moral. Aprendiam a amar os inimigos, a cuidar dos doentes e po¬bres, a jamais blasfemar e a manter sempre a paz. Para eles, a força jamais fazia parte da moral, até mesmo contra os infiéis. A pena capital era um crime. Deviam contar sempre com o triunfo de Deus sobre o mal, e não recorrer a medidascondenáveisY' Não havia inferno ou purgatório em sua teologia, todas as almas seriam salvas, mes¬mo que fosse após muitas transmigraçães purificadoras. Para se conseguir o céu, ter¬se-ia que morrer em estado de pureza; para isso, era necessário receber o conso/amen¬tum de um sacerdote cátaro, o último sacramento que purificava a alma. Os crentes cátaros (à semelhança dos primeiros cristãos no caso dO'batismo) adiavam o sacramen¬to para a ocasião em que julgavam que iam morrer de alguma doença. Os que dela sobreviviam corriam o risco de adquirir nova impureza e morrer sem o conso/amen¬tum, razão por que era uma grande infelicidade o restabelecer-se da doença após tê-Ia recebido. Consta que os sacerdotes albigenses procuravam persuadir um convalescen_ te a morrer de fome a fim de evitar tal infelicidade e, com isso, conseguir entrar no paraíso. Assegurava-se que, às vezes, os sacerdotes matavam o paciente, sufocando-o. com o consentimento dele. a fim de que tivesse a certeza de ir para O paraíso .
A Igreja 'teria talvez permitido que essa seita cometesse seu próprio suicídio. não ti¬vessem os cátaros se empenhado em atividades contra a Igreja, criticando-a. Negavam que ela fosse a Igreja de Cristo. que São Pedro tivesse ido a Roma e fundado o papa¬da. Para eles, os papas eram os sucessores dos imperadores e não dos apóstolos; Cristo não tinha um lugar onde repousar, enquanto o papa vivia em um verdadeiro palácio. ~ Diziam que Cristo não tivera propriedades nem dinheiro” p.689-690
Mas a Igreja responde com violência a esta realidade.



Citar Durant:
“Dois anos após sua ascensão, escreveu Inocêncio ao arcebispo de Auch, na Gasco•
nha:
'O pequeno barco de São Pedra está sendo sacudido por muitas tempestades no mar. porém o que mais me compunge ... é o fato de estarem surgindo agora, cada vez mais livres e injuriosos. ministros'que cometem erras diabólicos e tecem arma• dilhas às almas simples. Com suas superstições e mentiras estão pervertendo o sig¬nificado das Sagradas Escrituras. procurando destruir a união da Igreja Católica. Uma vez que ... esse erro pestilento se está desenvolvendo na Gasconha e. territórios vizinhos. desejaria que vós e vossos bispos resistissem 'a de com toda a energia ... Damo-vos ordens peremptórias para destruirdes todas essas heresias e repelirdes de vossa diocese todos os que estiverem contaminados por elas. empregando para isso todos os meios que puderdes ... Se necessário. podereis obrigar os príncipes e o povo a suprimi-Ias com a espada'” p. 691



A Igreja estrutura sua perseguição aos Hereges:
Citar Durant:
“Geralmente, antes do século XIII, a inquisição dos hereges ficava a cargo dos bis¬pos. Não eram propriamente inquisidores, esperavam que os boatos ou o clamor pú¬blico apontassem os hereges. Intimavam-nos a ir a sUa presença. Sentiam dificuldades em obrigá-Ias a confessar. Repugnava-lhes utilizar-se da tortura e recorriam ao julga¬mento do ordálio, ao que parece, na crença sincera de que Deus faria milagres para proteger os inocentes. São Bernardo aprovou esse expediente, e um concílio episco¬pal, que se realizou em Reirns (1157), decretou que dele se servisse como processo reguIar nos julgamentos dos hereges. Inocêncio, porém, o proibiu. Em 1185, o Papa Lúcio IIl, descontente com a negligência que os bispos demonstravam na perseguição aos hereges, ordenou-lhes que visitassem as paróquias ao menos I.!ma vez por ano, prendessem todos os suspeitos, considerassem culpados todos aqueles que não juras¬sem completa lealdade à Igreja (os cátaros recusaram-se a fazer qualqu~r juramento) e entregassem todos os recalcitrantes às armas seculares. Os emissários do Papa tinham poderes de depor os bispos que se descurassem do combate à heresia. InocênciolII exigiu,em 1215, que todas as autoridades civis jurassem em público, ?ob pena de in¬terdição por heresia, "expulsar de suas terras todos os hereges que haviam sido assina¬lados pela Igreja para o animadversio debúa - devida punição". O príncipe que se descurasse dessa obrigação seria destituído, e o Papa eximiria seus súditos de qualquer obediência a ele.ll A "devida punição" consistia então de, apenas, desterro e confisco dos bens. (...)
Depois de 1227, Gregório e seus sucessores nomearam um número cada vez maior de inquisitores especiais para perseguir os hereges. Ele escolhia para essa tarefa os membros das novas ordens de mendicantes, em parte pela sua devoção e vida simples que levavam, em parte porque não podiam depender dos bispos; contudo, nenhum inquisidor deveria condenar um herege a uma pena grave sem o consentimento epis¬copal. Tantos eram os dominicanos empregados nesse mister que o povo os apelidou de Domini cannes -"os cães de Deus" Y A maioria era de homens de moral eleva¬da; poucos, porém, os que possuíam espírito misericordioso. Tinham-se na conta não de juízes que pesavam de maneira imparcial as provas que Ihes apresentavam, mas de guerreiros que perseguiam os inimigos de Cristo. Alguns eram zelosos e consciencio¬sos, como Bernardo Gui, outros sádicos, como "Roberto, o Dominicano", herege pa¬tarino que se havia convertido e que, em um só dia, no ano de 1239, enviou 180 pri. sioneiros para a fogueira, inclusive um bispo que, num julgame1Jto que fizera, havia dado muita liberdade aos hereges. Gregório suspendeu Roberto de suas funções e condenou-o à prisão perpétua.” p. 695-696
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Cristianismo nos séculos IX e X


PERÍODO DE TREVAS E DE EXPANSÃO DO EVANGELHO
Luis, o Piedoso, o filho de Carlos Magno foi caluniado e humilhado pelos seus filhos, que com o apoio da Igreja o destronaram, porém depois o povo o colocou novamente no trono, até morrer em 840;
Vida irregular e pecaminosa dos papas, sendo Estevão VII morto por estrangulamento, outro, chamado de Sérgio III era descrito como “um escravo de todos os vício”, e daí em diante só piorou;
Muitos Presbíteros com concubinas e vivendo em tabernas entregues a bebida;
Em 850 um concílio em Paiva prestou-se a proibir os bispos de terem cães, falcões de caça e usarem roupas opulentas em seus adornos, com as quais faziam vista de sua riqueza.
Inventou-se o Rosário e a coroa da Virgem Maria;
Inventou-se que o anjo Miguel celebrava missas na corte do Céu todas as segundas-feiras;
Surgiu também neste século o ensino da transubstanciação do pão e do vinho;


A LUZ BRILHA NAS TREVAS:
Pregação do evangelho ma Grã-Bretanha;
Pregação do evangelho na Escócia; Lá o monge clemente clamava “Oh! Senhor Jesus, não te peço outra felicidade senão que faças compreender, sem a mistura de teorias enganosas, a Palavra que Tu tens inspirado pelo teu Santo Espírito. Mostra-te a todos aqueles que te procuram, a ti somente”;
Cláudio, o bispo de Turim levanta-se contra a adoração das imagens que chama de “vis e malditas”. Prega contra a adoração da cruz, mostrando que ela deve ser carregada e não adorada. É hoje considerado um protestante do século IX. Foi injuriado e perseguido. Ele dizia “Se nós devemos adorar a cruz pelo fato de Cristo ter sido pendurado nela, por que não adoramos também a manjedoura e os cueiros, visto ter Ele estado numa manjedoura 3 ter sido envolto em cueiros? Porque não adoramos botes de pesca e burros, visto ter Ele dormido naqueles e montado nestes?”. Ele também se opôs às peregrinações à Roma como forma de expiação dos pecados. Condenou a forma com que os bispos e abades mantinha pessoas a seu serviço nos mosteiros, servindo-se dos seus trabalhos. Além de tudo isto mostrava em sua pregação que os santos eram tão falhos quanto qualquer um, e que jamais poderia advir salvação destes. 



SÉCULO X



909 - SURGE O MOSTEIRO DE CLUNY
Criado pelo duque Guilherme III da Aquitânia;
Colocou Bernom a frente do mosteiro, este era rígido aplicador da Regra de São Bento;
Guilherme doou as terras de Cluny ao santos Pedro e Paulo, afim de que o papa não invadisse estas terras ou de que os desmandos dos bispos não as destruísse;
Cluney tornou-se, através de seis longânimos abades consecutivos, até 1109, um exemplo de mosteiro. Assim, rapidamente surgiam outros Clunys, ligados a liderança central do primeiro.
Este é o princípio da Reforma Monástica que trouxe alívio a muitas vidas que buscavam ter uma vida reta diante de Deus, em meio a um mundo contaminado.



988 – CONVERSÃO DE VLADMIR, PRINCIPE DA RÚSSIA
Era um amante dos divertimentos;
Possuía 5 esposas;
Decidiu ter em seu reino apenas uma religião;
Enviou homens a conhecer todas as religiões que já se havia ouvido falar;
Muitos deste homens se impressionaram com beleza do culto e das igrejas cristãs. Veja o relato que levaram ao rei:
“Não sabíamos se estávamos no céu ou na terra, pois certamente não havia tamanho esplendor de beleza em qualquer lugar aqui na terra. Não somos capazes de descrever o que vimos. Sabemos apenas que Deus habita entre aqueles homens e que seu culto ultrapassa em muito a adoração de todos os outros lugares...”
Em 988 Vladmir foi batizado e em 989 casou-se com uma cristã chamada Ana e abandonou suas outras 5 esposas;
Vladmir optou por tornar oficial na Rússia a Igreja Ortodoxa Grega e não a Romana. Ele deu à esta religião oficial o nome de “Pravoslavie”, que significa “Verdadeira Adoração”.
Assim, sob influência do rei, o cristianismo russo tornou-se basicamente litúrgico.
- Se realmente Vladmir se converteu de coração, não é possível sabermos, mas podemos perceber que sua conversão mudou realmente seu modo de vida, tornando-se um rei pacífico e mais justo. No seu leito de morte doou seus bens aos pobres.
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O CRISTIANISMO NO SÉCULO SÉCULO VII

CARACTERÍSTICAS DA IGREJA DO SÉCULO VII
Ignorância do clero, eram em grande números analfabetos;
A literatura que era lida pela população tratava-se de obras sobre os milagres, em sua grande parte falsas, sobre os milagres e vida dos santos;
Mosteiros mostravam-se viciados e acomodados. Havia disputa de terras com os padres;
Crescia a ambição entre o clero;
Criação do título de Bispo Universal dado ao Papa;
Pregação do evangelho em muitos lugares do mundo;
Cito Anglin:
“No ano 626, os nestorianos, discípulos de Nestor, pa¬triarca de Constantinopla, chegaram até a China, pregan¬do o Evangelho com grande êxito. No século dezessete al¬guns jesuítas descobriram, próximo de Singapura, um mo¬numento de mármore muito interessante, medindo sessen¬ta pés de comprido por cinco de largura. Vêem-se nele al¬guns caracteres ,em língua siríaca e outros em língua chine¬sa, e estão colocados em vinte e oito colunas paralelas, cada. uma de sessenta e duas palavras. Juntamente com os nomes de alguns missionários nestorianos; encontra-se no monumento uma exposição da introdução do cristianismo no país, e uma confissão de fé a que poucos cristãos se ha¬viam de opor. Os nestorianos trabalharam na China até quase o fim do século VIII, mas por esse tempo o governo tornou-se invejoso da sua influência no país, e parece que, ou foram exterminados ou expulsos do território. Outros dos seus missionários chegaram até a Pérsia, e Síria e a costa de Malabar, mas supõe-se que não penetraram mui¬to pelo interior da Índia.”

622 - Surge o Islamismo;
Resumo:
Muhammad e sua pregação;
Reescreve histórias bíblicas;
Jihad, a Guerra Santa para instaurar o governo de Allah;
Uma breve narrativa do desenvolvimento do credo Islâmico:
No período anterior à ascendência do Islã, a Arábia nada mais era do que um conglomerado de muitas tribos politeístas que figuravam naquela árida península e que, na sua grande maioria, tinham uma vida nômade voltada ao comércio, e outras poucas sedentárias residiam em vilas que surgiam ao redor de poços ou oásis.
Na maioria das vezes, além da língua comum e das hostilidades, praticamente não havia vínculos entre as tribos. Porém havia algo que às ligava: no imaginário coletivo havia um passado histórico em comum. Isto estava impregnado no subconsciente destas tribos, era ensinado de geração em geração nos clãs.
Consideravam-se parentes. Numa raiz mais ampla, diziam-se ‘semitas’, ou seja, descendentes de Sem, um dos filhos de Noé. E num recorte menor consideravam-se descendentes de Abraão, e mais especificamente de Ismael, ou seja: ismaelitas.
Ismael, segundo a tradição judaica e bíblica foi tido com a serva Hagar, pois a esposa de Abraão, Sara, era estéril
. Mesmo sendo o primogênito, quando souberam da gravidez de Sara, treze anos mais tarde, da qual iria nascer Isaque, Ismael foi rejeitado por Abraão a pedido de Sara, inclusive perdendo todo o direito de herança. Abraão o levou para o deserto junto com sua mãe e ali os deixou apenas com um jarro d’agua. A história conta que Deus através de um anjo lhes deu um poço. Isto teria ocorrido pelo fato de Ismael não ser o filho que Yavé lhes havia prometido. Este poço, segundo a tradição árabe-beduínica seria a fonte sagrada de Zem-zem, situada próxima da Caaba em Meca. A própria Bíblia afirma que Ismael daria origem a um grande povo que habitaria no deserto, próximo de seu irmão Isaque, que deu origem a Israel.
Esta narrativa toda tem também eco no relato de historiadores israelitas2. Segundo também a Bíblia3, Ismael casou-se com uma egípcia e teve doze filhos, os quais deram origem à doze tribos que habitaram toda a região que está entre o rio Eufrates e o Mar vermelho, sendo sua descendência os árabes.
Todo este enredo, talvez não estivesse no imaginário coletivo árabe de forma tão clara quanto aqui relatada, mas o certo é que havia pelo menos uma idéia superficial deste passado que lhes dava certeza quanto à sua comum origem. Na bíblia também, em muitos momentos fala-se dos ‘ismaelitas’ como sendo um povo que vivia no deserto, que tinha caravanas, que faziam o comércio. E isto inclusive em relatos de momentos cronológicos mais distantes. O que prova, que mesmo com o passar dos tempos este título não se apagara.
Esta história atravessou séculos, tanto é que figurava claramente no imaginário dos primeiros séculos da cristandade, tanto é que para os cristãos a este relato tinha um significado especial, pois figurava em uma das alegorias escritas pelo Apóstolo Paulo ao fiéis da Galácia, onde se comparava Ismael aos frutos da carne e Isaque aos frutos do Espírito, um como filho da escravidão e outro como filho da liberdade.
Muhammad nasceu em torno do ano de 1570 d.C. Momento em que tanto o judaísmo havia se espalhado por muitas regiões do oriente próximo como também o cristianismo tomava caráter de grande religião alastrando-se rapidamente inclusive na Arábia. A cidade de Meca, onde Muhammad vivia, abrigava, assim como a própria Medina uma grande população judia, ou mesmo árabes convertidos ao judaísmo, além disso Maomé também conhecia muitos cristãos que viviam na sua cidade, outros que trabalhavam na sua empresa e alguns de seus parentes também haviam se convertidos à fé em Jesus Cristo, relatos afirmam que um primo-irmão da mulher de Mohammad conhecia bem as Escrituras, inclusive lia o hebraico e até o aramaico. Assim sendo Muhammad conhecia muito bem as histórias bíblicas, e esse conhecimento hebraico-cristão, essa lógica monoteísta permaneceu para sempre no discurso e na fé expressa por ele.
Portanto, é claro: na Arábia em que nasceu Muhammad haviam muitos grupos religiosos, a maioria mantinha a fé de suas tribos politeístas e outros estavam convertidos a doutrinas monoteístas – cristãs ou judaicas –, porém para todos estes grupos esta noção de passado histórico comum era o mesmo.
Inclusive, creio que a disseminação da fé judaico-cristã contribuiu para o fortalecimento deste mito ismaelita, que, como vimos tem como grande base, ou podemos dizer, como base primária a Bíblia ou a Tora – livro sagrado judaico, contendo apenas os textos do Velho Testamento Bíblico.
Aos quarenta anos de idade, no dia 27 do mês de Ramadã - ano de 610 d.C. - Maomé descreve ter recebido em uma de suas meditações - enquanto estava dormindo em sua gruta solitária do monte Hira – a visita ilustre do Arcanjo Gabriel que lhe ordena a proclamar, a ler, a ser profeta do Deus único, que tudo criou, ‘que fez o homem de um coágulo’. E a partir deste momento vieram a se somar muitas revelações que viriam a compor o Alcorão – livro sagrado muçulmano, considerado verdadeiramente a palavra de Allah.
Os personagens do enredo do Alcorão, salvo poucas exceções, é formado pelos mesmo homens da cujas histórias são relatadas na Bíblia, inclusive por Jesus Cristo. Nos seus imponentes versos, o Alcorão relata-nos uma nova versão deste passado também descrito na Bíblia, colocando a todos como profetas que apontavam para a vinda do ‘selo dos profetas’ que seria Muhammad, inclusive Jesus, que segundo o Alcorão não teria morrido na cruz. Veja como isto é claro no texto do Alcorão:
“(...) E por dizerem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Deus, embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, senão que isso lhes foi simulado. E aqueles que discordam quanto a isso, estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, abstraindo-se tão-somente em conjecturas; porém , o fato é que não o mataram. Outrossim, Deus fê-lo ascender até Ele, porque é poderoso, Prudentíssimo. (...)”4
Posso afirmar com veemência, a partir destes dados apresentados, que Muhammad recria todo o imaginário, utilizando-se de forma sutil dos mesmos personagens e, apenas nos detalhes, apresentando novos conteúdos, pois o Alcorão descreve Ismael como um profeta de Deus5. Inclusive mostra o agradecimento a Deus feito por Abraão pelos seus filhos, sem dar honras a um em detrimento do outro, supõe que ambos eram iguais6.
No Alcorão ao contrário de ser relatado o abandono de Ismael, se fala da construção da Caaba, nunca relacionada anteriormente a Abraão, como sendo uma obra deste como presente a Ismael e seu povo.
Veja o que o Alcorão fala sobre a Caaba:
“(...) A primeira Casa (Sagrada) erigida para o Gênero humano, é a Caaba, onde reside a bênção servindo de orientação à humanidade. Encerra sinais evidentes: lá está a Estância de Abraão, e quem quer que nela se refugie estará em segurança. (...)”
Uma questão importante resolvida pela restauração, ou recriação, do mito ismaelita foi a própria afirmação e legitimação de Muhammad enquanto profeta de Deus. Muhammad é descendente da tribo dos coraixitas que surgiram na oitava geração dos filhos de Abnan, um dos doze filhos de Ismael.
Outra compreensão que proponho, é que tenha sido desta forma que Muhammad tenha alcançado para a sua fé tanto aos árabes já convertidos ao monoteísmo – que viram no Islã uma espécie de continuação aos escritos hebraicos, inclusive de forma contemplativa, – quanto aos ainda politeístas espalhados em muitas tribos e que acharam em suas revelações uma nova realidade: são descendência de Ismael: são povo escolhido por Deus.
Obviamente a negação feita por Maomé da divindade de Jesus também é um ponto de diferenciação muito imponente, ao compararmos o Alcorão e a Bíblia, e isto ocorre também para justificar Muhammad como profeta, pois se ele aceitasse a hipótese de Jesus ser o Messias, descartava-se a necessidade de haverem novos profetas e aí desabaria o seu poder e importância.
Segundo Bickel:
“(...) os muçulmanos acreditam que não existe grande diferença entre Jesus e Maomé. Eles afirmam que ambos foram profetas do Islã, mas que Maomé veio mais tarde e foi o último profeta, tendo sido aperfeiçoado e, assim, superado Jesus. (...)” (p.68)
Porém, creio que esta questão foi apenas importante para a afirmação do profeta e diferenciação da nova religião, não chegando aos pés da nova versão do mito ‘Ismaelita’ para a consolidação da fé, pois este cativou rapidamente os árabes. Se Muhammad se limitasse a negar a Cristo em suas pregações, talvez o Islã teria sido apenas mais um segmento do judaísmo, sem conquistar adesão das massas.
Analisando todos estes aspectos acima apresentados podemos perceber a forma com que Muhammad incitou o seu povo à uma unidade cultural, a qual foi necessária para a criação de uma unidade política e social: resultado imediato da disseminação do Islã. Onde não havia unidade social alguma, naquele árido deserto, Muhammad faz surgir uma identidade fortíssima de nação, a qual foi base indispensável para a futura expansão do mundo Islâmico.
E mais: um texto de 1981, de uma edição do Correio da Unesco, nos diz que:
“(...) nos treze séculos que se passaram desde sua gênese a religião (islâmica) congrega hoje mais de 800 milhões de adeptos (atualmente 1,3 bilhões), unidos pelo sentimento se pertencer a uma só comunidade. (...)”
Resumindo, Muhammad utilizou-se de prerrogativas do imaginário (consciência) coletivo de passado histórico das populações árabes, principalmente do Ismaelismo - modificando-o – para consolidar a fé islâmica.
Resultado:
O Islã logo se espalhou muito, chegando ao seu auge de expansão no início do século XVI. Neste momento os muçulmanos tinham comunidades e governos espalhados pelo mundo todo, desde Bagdá, Cairo, passando por Atenas e Benares, avançavam na costa e no interior da África, nas savanas, no Saara, no Marrocos. Chegavam à China e dividiram a Índia. Adentravam na Malásia e nas Filipinas, chegando a costear a Europa e inclusive estabelecendo grande comunidade na Espanha.
Segundo Desmond Stewart:
“(...) No apogeu, porém o Império Muçulmano estendeu-se da Espanha até a Índia, superando o ponto de expansão máxima do Império Romano. (...)” (p.7) 

SÉCULO VIII

726 - IMPERADOR LEÃO III LANÇA CRUZADA CONTRA A IDOLATRIA
Cito Anglin:
“No ano 726, Leão lV, imperador do Oriente, assustado com o progresso dos maometanos, cujo fim cONhecido era exterminar a idolatria e afirmar a unidade de Deus, come¬çou, por interesse próprio, uma cruzada animada contra a adoração das imagens, e o zelo que mostrou nessa nova empresa logo lhe criou o nome de lconoclasta, que significa quebrador de imagens.’
A maneira como o seu primeiro edito foi recebido mos¬trou de que modo o povo se opunha formalmente a esta obra de reformação; e o resultado foi logo uma guerra civil. Quando apareceu um segundo edito de maior alcance, um oficial a quem Leão determinara que destruisse. uma ima¬gem notável do Salvador, foi, na ocasião em que ia cumprir essa ordem, rodeado por uma multidão de mulheres que lhe pediram que deixasse a imagem; ele, contudo, subiu a escada e ia proceder à obra de destruição, mas foi logo deitado da escada a baixo e feito em pedaços. Não se intimi¬dando com isto, Leão puniu imediatamente os autores do crime, e mandando ali outros oficiais para o mesmo fim, a imagem foi deitada a baixo e demolida.
(...)A rebelião que se seguiu foi prontamente abafada no império oriental pelas medidas rápidas e sanguinárias do imperador, que autorizou uma perseguição. Mas os italia¬nos olharam para aquele ato com horror e indignação, e quando receberam ordem para pôr o edito em prática no seu país levantaram-se todos, e declararam que a sua aliança com o imperador estava acabada. Assim teve lugar a separação final entre as igrejas latina e grega. O poder papal estava há muito a espera disto, e Gregório II viu que lera agora chegada a ocasião e aproveitou o quanto pôde a excitação popular. A sua resposta ao edito, é cheia de ameaças e blasfêmias, e abunda em ditos, os mais absur¬dos, e mostra uma ignorância das Escrituras Sagradas que faria vergonha a uma criança cristã. Por uma confusão ex¬traordinária de nomes, confundiu o ímpio Uzias com o pie¬doso Ezequias, dizendo que "o ímpio Uzias sacrilegamente tinha removido a serpente de metal que Moisés fizera, e a despedaçara!" A sua carta não deixa, contudo, de ser inte¬ressante como prova do espírito sedicioso e ar de desafio com que o bispo respondeu ao seu amo imperial, assim como do sentimento do poder político que enchia o peito do altivo eclesiástico. No final de sua carta chega a atrever-se a fazer a falsa afirmação de que a conduta do impe¬rador em abolir a adoração das imagens estava "em con¬tradição imediata com o testemunho unânime dos anciãos e doutores da igreja, e repugna principalmente a autorida¬de dos seis concílios gerais. Esta afirmação provocou a se¬guinte observação de um historiador católico-romano:
"Em nenhum dos concílios gerais se diz uma palavra a res¬peito de imagens ou de adoração a elas, enquanto ao teste¬munho unânime dos anciãos é igualmente falso o que naquela carta se diz". - .
Há outro dito de um papa igualmente absurdo, pois ele afirma que logo que os discípulos viram a Cristo, "apressa¬ram-se a fazer retratos dele, expondo-os por toda a parte, para que, à vista deles, os homens se pudessem converter do culto de Satanás ao serviço de Cristo".
Gregório morreu pouco depois, mas sucedeu-lhe um ou¬tro Gregório, homem de igual zelo e maldade, que convo¬cou um concílio de bispos, no qual foram confirmadas as pretensões arrogantes do seu antecessor.
Excitado pela insolência do papa Gregório lV, o Impe¬rador Leão armou uma esquadra e mandou-a para a costa da Itália, mas uma tempestade reduziu-a a tal estado que teve de voltar para o porto. Tanto o papa como o impera¬dor morreram pouco depois, no ano 741, e podia-se esperar que tudo sossegasse. Mas não foi assim. As idéias icono¬clastas de Leão, passaram, assim como a sua coroa, para seu filho Constantino V, e a cruzada contra o culto das imagens continuou com o mesmo vigor durante o seu rei¬nado de trinta e quatro anos. O imperador que lhe sucedeu no ano 775 também seguiu os mesmos princípios e política, mas o seu reinado foi de pouca duração. Este imperador, Leão IV, foi assassinado por sua mulher, a imperatriz !re¬ne, que tomou as rédeas do governo no ano 780, em nome do seu filho Constantino VI, que era então uma criança de dez anos. Foi este o sinal para uma mudança na política, e a imperatriz, ligando-se com o papa, tomou logo as suas medidas para a restauração do culto às imagens, sendo este passo muito bem recebido tanto pelos padres como pelo povo.” (p. 97)

732 – A BATALHA DE TOURS RESTRINGE O AVANÇO DO ISLÃ;
O avanço do Islã: 636 Síria e Palestina; 642 Alexandria; 646 Mesopotâmia; 697 Cartago; 711 Península Ibérica e parte da Índia;
Império Romano desmantelado pelas Invasões bárbaras;
Igreja era o único poder que Roma possuía, no sentido de estender-se à outros territórios;
Carlos Martelo, rei dos Francos
Cito Curtis:
“Se não fosse Carlos Martela, todos nós poderíamos estar falando árabe e nos ajoelhando na direção de Meca cinco vezes ao dia. Na região de Tours, Carlos Martela e seu exército franco reverteram o imenso poderio dos exércitos islâmicos que varriam o norte da África e já invadiam a Europa. A batalha de Tours foi importantíssima para a civilização ocidental.” (p.70)

756 – A DOAÇÃO DE PEPINO
Pepino III (Pepino, o Breve) era filho de Carlos Martelo, e havia herdado o trono do pai.
Em 754 havia surgido, pelas mão da Igreja, um documento - que hoje sabe-se ter sido forjado - no qual o imperador Constantino haveria, quando da sua mudança para Constantinopla, doado a parte Ocidental do Império Romano à Igreja. Ou seja, segundo este documento o Ocidente passaria a pertencer ao Bispo de Roma. Este documento ficou conhecido como Doação de Constantino.
Os lombardos estavam invadindo todas as terras ao redor de Roma e ameaçando a cidade, ao que o papa Estevão II pediu socorro ao rei dos francos, que atravessou os Alpes afim de socorrer o papa.
Segundo Curtis:
“Seguindo as idéias da Doação de Constantino, o rei franco Pepino III, filho de Carlos Martelo, decidiu tomar Ravena das mãos dos lombardos e a entregou ao papa. Em 765, a doação de Pepino passava às mãos do papa as terras que, mais tarde, seriam conhecidas como Estados papais.” (p.73)

787 – CONCÍLIO DE NICÉIA
Legitimação da Idolatria por parte da Igreja;
Cito Anglin:
“Em 787 foi convocado um concílio em Nicéia (o sétimo e último concílio geral segundo a igreja grega), e foi resolvi¬do que "como a venerável e vivificante cruz, fossem levan¬tadas as veneráveis e santas imagens ... Quer dizer, as ima¬gens do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, da imaculada mãe de Deus, dos anjos principais, e de todos os santos e homens bons. Que essas imagens seriam tratadas como memórias santas, adoradas, beijadas, mas sem especial adoração que é reservada ao Eterno. Qualquer que violar esta provada tradição imemorial da igreja, e procurar re¬mover qualquer imagem à força, ou por astúcia, será de¬posto e excomungado se for eclesiástico; se for monge ou leigo será excomungado". Foi depois votada uma maldição sobre todos os que recusassem obedecer a este decreto blásfemo, e o clero reunido exclamou ao mesmo tempo: "Anátema sobre todos que se comunicam com aqueles que não adoram imagens! Glória sempre e eterna aos romanos ortodoxos, a João de Damasco! Glória sempre e eterna a Gregório de Roma!" Este sétimo e último concílio, diz Dean Waddington, "estabeleceu a idolatria como lei da igreja cristã, e assim se concluiu o edifício da ortodoxia oriental".”

800 – SURGE O SACRO IMPÉRIO ROMANO DE CARLOS MAGNO
Segundo Curtis:
“Embora o papa tivesse recebido territórios, ele nunca alcançou de maneira direta, o controle imperial. Este ficaria nas mãos do filho de Pepino, Carlos Magno.
Ao assumir o trono, 771, Carlos Magno deu início a três décadas de conquistas. Ele expandiu as fronteiras de seu reinado para o leste e, no final do seu reinado, controlava a maior parte da Itália, a Borgonha, a Alemanha, a Bavária e a Turgínia. No lado norte, tinha poder sobre a Saxônia, e a Frísia. (...) Pela primeira vez, considerável parte da Europa possuía liderança estável.
Até o Natal de 800, Carlos Magno possuía o título de “rei”. Naquela data, o papa Leão II o coroou imperador. Mais uma vez, parecia que a Europa Ocidental tinha um imperador para seguir os passos de Constantino.
Carlos Magno levou a sério a idéia de que se tornara um imperador cristão, pois todos os seus despachos oficiais se iniciavam da seguinte maneira: “Carlos, pela vontade de Deus, imperador romano”.”(p.73)
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sexta-feira, 12 de julho de 2013

HISTÓRIA DA IGREJA ATRAVÉS DOS SÉCULOS - V


SÉCULO V

405 – JERÔNIMO COMPLETA A VULGATA
Nasce em 340;
Cito Durant, A idade da fé:

Era, no entanto, um cristão verdadeiramente apaixonado por sua religião. Juntou-se a Rufino e outros para fundar uma irmandade de ascetas em Aquiléia, e em suas prédicas aconselhava tanto a perfeição, que o bispo o censurou por se mostrar indevidamente impaciente com a fragilidade natural da alma humana. A isto respondeu ele chamando o bispo de ignorante, brutal, perverso, do mesmo nível do rebanho humano que con¬duzia e péssimo piloto de um barco desgarrado. Jerônimo e alguns companheiros deixaram Aquiléia entregue a seus pecados e seguiram para o Oriente Próximo; entraram para um mosteiro do deserto de Cálcis, perto de Antioquia. O clima insalubre que prejudicou-lhes a saúde; dois morreram e o próprio Jerônimo esteve, duran¬te muito tempo, entre a vida e a morte. Deixou então o mosteiro para ir viver (...) uma ermida do deserto, onde se entregava, uma vez ou outra, à leitura de Virgílio e Cícero. Levara consigo sua biblioteca e não podia afastar-se, de vez, da prosa c da poesia dos clássicos, cuja beleza o fascinava. Sua narrativa a respeito revela bem a disposição de seu espírito.
‘Sonhara que tinha morrido e que havia sido arrastado à presença do Supremo Juiz, Pediram-me que dissesse qual era minha religião. Respondi que era cristão. Ele, porém que presidia o julgamento, contestou dizendo: "Estás mentindo, és um ciceroniano e não um cristão. Pois onde tiveres teu tesouro, lá estará também teu coração." Fiquei logo sem fala e senti depois os golpes do açoite - pois ele havia ordenado que me açoitassem ... Finalmente os presentes caíram de joelhos dian¬te dele e imploraram que me perdoasse a juventude, e me desse oportunidade de poder arrepender-me dos erros, com a condição, porém, de que me seria infligida extrema tortura se tornasse a ler novamente os livros dos autores gentios ... Essa ex¬periência não foi um sonho agradável, tampouco sem razão de ser ... Confesso que meus ombros estavam roxos e senti as dores dos açoites muito tempo depois de es¬tar acordado. Dali por diante dispensei à leitura dos livros de Deus uma atenção muito maior da que, até então, vinha dando aos livros dos homens’” (p46)
Jerônimo realizou a Tradução completa da Bíblia para o latim;
Cito Curtis:
“Jerônimo começou sua obra em 382. Quando Dâmaso morreu, em 384, Jerônimo, aparentemente, alimentava o desejo de ocupar a posi¬ção de bispo de Roma. Em parte pela amargura de não ter sido escolhido, e em parte pelo desejo de se livrar das distrações, Jerônimo mudou-se de Roma para a Terra Santa, estabele¬cendo-se em Belém. Em 405, terminou sua tradução, que não foi sua única obra. Durante aqueles 23 anos, ele também produziu comentários e outros escritos, servindo de conse¬lheiro espiritual para algumas viúvas ricas e bastante devotas. Ele se en¬volveu em várias batalhas teológicas de seus dias, por meio de cartas elo¬qüentes - e, às vezes, bastante cáus¬ticas - que até hoje são considera¬das muito dramáticas.
Jerônimo começou sua tradução trabalhando a partir da Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamen¬to. Porém, logo estabeleceu um pre¬cedente para todos os bons traduto¬res do Antigo Testamento: passou a trabalhar a partir dos originais em hebraico. Jerônimo consultou muitos rabinos e procurava com isso atingir um alto grau de perfeição.
Jerônimo ficou surpreso com o fato de as Escrituras hebraicas não incluírem os livros que chamamos hoje apócrifos. Por terem sido incluídos na Septuaginta, Jerônimo foi compelido a incluí-Ios também em sua tradução, mas deixou sua opinião bastante cla¬ra: eles eram liber ecclesiastici ("livros da igreja"), e não liber canonici ("livros canônicos"). Embora os apócrifos pu¬dessem ser usados para a edificação, não poderiam ser utilizados para es¬tabelecer doutrina alguma. Centenas de anos mais tarde, os líderes da Re¬forma dariam um passo adiante e não incluiriam esses livros na versão bí¬blica protestante.”

A DECADÊNCIA DOS CRISTÃOS
Cito Anglin:
“Mas não obstante o Senhor ter assim livrado o seu povo de muitos perigos, foram os próprios cristãos que prepara¬ram para si bastante trabalho pelas suas loucuras. O pro¬cedimento do clero (com algumas brilhantes exceções) tor¬nara-se notavelmente irregular, e tinha decaído a tal ponto em Roma, que dois candidatos ao bispado, Lourenço e Simaco, nos esforços que empregaram para obter o lugar, não temeram fazer as mais. graves acusações um ao outro. O atrevimento do clero revela-se de um modo notável r no fato de que Martinho bispo de Tours, (que era um cristão fiel e dedicado), consentiu'em ser servido à mesa pela mu¬lher do imperador Máximo, vestida como uma criada! Também se conta deste bispo outra história da mesma espécie. Estando um dia a jantar com o imperador, este pas¬sou-lhe a sua taça, pedindo que bebesse primeiro. Marti¬nho assim fez com grande ostentação, mas antes de resti¬tuir a taça ao imperador, passou-a ao seu capelão, fazendo observações de que os príncipes e potentados estavam abaixo da dignidade de padres e bispos.
A ambição pela distinção na igreja estava também con¬sumindo a energia de muitos cristãos menos talentosos, e por isso foram criados numerosos lugares novos: e assim começou-se a ouvir falar de subdiáconos, leitores, ajudan¬tes, acólitos, exorcistas, e porteiros. Mas além de tudo isso também se tornara comum a adoração das imagens e a in¬vocação dos santos; e a perseguição que sofreu Nestor por se recusar a empregar o termo "Mãe de Deus" referindo-se à virgem Maria, mostra muito claramente para onde a igreja estava resvalando.” (p71)


HÁ REAÇÃO À DECADÊNCIA DA IGREJA
Cito Durant, Idade da Fé:
“Desde que deixara de ser um agrupamento de devotos e se tornara uma instituição que governava milhões de homens, a Igreja começou a adotar um ponto de vista mais complacente pata com a fragilidade humana e a tolerar os prazeres do mundo, do qual. às vezes, participava. Uma minoria de cristãos considerou tal condescendência como traição a Cristo, e resolveu ganhar o reino dos céus 'levando uma vida de pobre¬za, castidade e orações. Isolaram-se completamente do mundo (...)”


A IGREJA NO INÍCIO DO PERÍODO MEDIEVAL
OS PRINCIPAIS SOLDADOS DE CRISTO: OS LÍDERES DO SÉCULO V:
Cito Durant, Idade da Fé:
“Jerônimo e Agostinho foram os dois maiores vultos de uma época extraordinária. Entre os Padres da Igreja medieval dos primeiros tempos, nove foram os que se distin¬guiram como "Doutores da Igreja": Atanásio, Basílio, Gregório Nazianzeno, João Crisóstomo eJoão Damasceno, no Oriente, e Ambrósio, Jerônimo, Agostinho e Gre¬gório, o Grande, no Ocidente.”

431 – O CONCÍLIO DE ÉFESO:
Disputas teológicas:
Alexandria + Roma X Antioquia + Constantinopla
- De Influência Grega; - Ênfase na humanidade de
- Ênfase ao Cristo Divino; Cristo;
- Apolinário disse que - Nestório é contrário à idéia
Cristo era humano apena de que Maria era ‘portadora’
corporalmente; de Deus, e opôs-se às idéias
de Apolinário;
Cito Curtis:
“Em 431, no Terceiro Concílio Ecu¬mênico em Éfeso, o maquinador Ci¬rilo conseguiu que Nestório fosse deposto antes que ele e seus amigos pudessem chegar ao local das reu¬niões. Quando os clérigos ausentes chegaram, condenarar;n Ciril0 e seus seguidores sob a liderança de João, o ~ patriarca de Antioquia. O imperador' Teodósio, que convocara o concílio, foi pressionado e terminou por exi¬lar Nestório.
Adicione a essa situação volátil um clérigo que levava a ênfase ale¬xandrina às últimas conseqüências. Eutíquio, chefe de um mosteiro pró¬ximo a Constantinopla, ensinava uma idéia que passou a ser chamada mo¬nofisismo (de mono, "um", e physis, "natureza"). Esse ponto de vista sus¬tentava que a natureza de Cristo es¬tava perdida na divindade, "assim como uma gota d'água que cai no mar é absorvida por ele".
O patriarca Flaviano de Constan¬tinopla condenou Eutíquio por heresia, mas o patriarca Dióscoro, de AJe¬xandria, o apoiou. A pedido de Diós¬coro, Teodósio convocou outro con¬cílio, que se reuniu em Éfeso, em 449. Esse concílio proclamou que Eutíquio não era herege, mas muitas igrejas consideraram esse concílio inválido. O papa Leão I rotulou aquele encon¬tro de "Sínodo de Ladrões" e, atual¬mente, ele não é considerado um concílio ecumênico válido.”
Resultados:
Nestorianismo é considerado Heresia;
Pelágio é condenado;
Vitória da visão Alexandrina de Cristo;

451 – CONCÍLIO DE CALCEDÔNIA
Tarefas:
Resolver questões ainda pendentes desde Éfeso;
Estabelecer a ordem;
Afirmar o poder papal cima dos bispos
Cito Curtis:
“Dióscoro sempre foi uma figura um tanto sinistra. Agora, nesse concílio, ele foi excomungado da igreja com resultado de suas ações no "Sínodo de Ladrões".
Durante o Concílio de Calcedô¬nia foi lida uma afirmação sobre a• natureza de Cristo, chamada tomo [carta dogmática], de autoria do pa¬pa Leão I. Os bispos incorporaram seu ensinamento à declaração de fé que foi chamada de Definição de fé de Calcedônia . Nessa Definição de fé, Cris¬to "reconhecidamente tem duas na¬turezas, sem confusão, sem mudan¬ça, sem divisão, sem separação (...) a propriedade característica de cada na¬tureza é preservada Nele”

QUESTÕES PARA DEBATE:
- A família e a Mulher na Igreja Medieval:
Cito Durant, Idade da Fé:
“Contudo, a Igreja fortaleceu a família cercando o caSamento de uma cerimônia so¬lene e sublimando-o pelo sacramento. Em tornando o casamento indissolúvel. au¬mentou a segurança e a dignidade da esposa e estimulou a paciência que advém da falta de segurança. A posição da mulher foi, durante algum tempo, prejudicada pela doutrina de alguns chefes cristãos, os quais afirmavam que a mulher era a fonte do pecado e o instrumento de Satanás; modificou-se. porém, essa posição pelas honras prestadas à Mãe de Deus. Tendo aceito o casamento. a Igreja abençoou a maternida¬de e proibiu severamente que se praticasse o aborto ou o infanticídio; talvez fosse pa¬ra desencorajar tais práticas que seus teólogos condenaram para o limbo eterno toda criança que morresse sem batismo. Foi devido à influência da Igreja que em 374 Valentiniano I proclamou o infanticídio um crime capital.”

A idolatria e o sincretismo na Igreja Medieval:
Cito Durant, Idade da Fé:
“O argumento de Agostinho contra o paganismo foi a última resposta nos maiores debates históricos, O paganismo sobreviveu no sentido moral como alegre indulgência de apetites naturais; como religião, permaneceu apenas na forma dos antigos ritos c costumes que haviam sido perdoados, ou aceitos c transformados por uma Igreja muitas vezes indulgente. A veneração íntima aos santos substituíra o culto aos deuses pagãos e satisfizera o politeísmo dos espíritos simples ou poéticos. Deram os nomes de Maria e Jesus às estátuas de Ísis e Hórus; a Lupercália romana e a festa da purificação de Ísis transformaram-se na Festa da Natividade; a Saturnália foi substituída pelas comemorações do Natal, a Fiorália, pelo Dia de Pentecostes, antigo festival dos mortos pelo Dia de Finados,lOo e a ressurreição de Átis, pela ressurreição de Cristo. Dedicaram os altares pagãos aos heróis cristãos; adaptaram e purificaram no ritual da Igreja o incenso, as luzes, as flores, as procissões, as vestes e hinos com os quais satisfa¬ziam os povos nos cultos antigos, A própria imolação de um ser vivo foi sublimada no sacrifício espiritual da missa.
Agostinho protestou contra a veneração aos santos e em termos que Voltaire pode• ria ter usado ao dedicar sua capela de Ferney: "Não tratemos os sarltos como deuses; não desejamos imitar os pagãos que adoravam os mortos. Não construamos templos nem altares para eles, mas levantemos corri suas relíquias um altar para um só Deus." 102 Contudo, a Igreja mui sabiamente aceitou esse antropomorfismo inevitável da teologia popular. Resistiu ao culto dos mártires e relíquias, praticou-o depois e nis¬so se excedeu também. Ela se OpÔSl03 à veneração das imagens, prevenindo os fiéis de que deviam respeitá•las apenas como símbolos, 104 mas o ardor do sentimento popular sobrepujou tais advertências, levando o povo aos excessos dos iconoclastas bizantinos. A Igreja condenou a feitiçaria, a astrologia e a profecia, porém isso se encontrava mui¬to na literatura medieval, assim como na literatura antiga; logo o povo e os sacerdotes iriam servir-se do sinal-da-cruz como coisa maravilhosa para expulsar ou repelir os de¬mônios. Pronunciavam-se exorcismos para os que se apresentavam para o batismo e exigia•se a imersão completa do corpo nu na água, de receio que o diabo estivesse es¬condido em alguma roupa ou ornamento. A cura que outrora se procurava nos templos de Esculápio pôde ser obtida depois nos santuários de São Cosme e São Damião.” 

SÉCULO VI

529 – BENTO ABRE SEU MOSTEIRO
Havia tempos o monastecismo vinha se fortalecendo.
Cito Anglin:
“Até o fim do VII século, estas instituições, espalhadas por toda parte, estavam debaixo das ordens dos bispos; e os monges, apesar da grande fama de que gozavam e de se estarem tornando muito ricos, eram apenas considerados como leigos pela igreja. Leão I proibiu-os expressamente de exercerem qualquer cargo sacerdotal, ou mesmo de se¬rem ensinadores do povo;”
Bento derruba templo pagão e no lugar ergue um mosteiro;
Fortaleza Espiritual;
Comunidade Auto-controlada;
Comunidade Auto-suficiente (saída contra a servidão feudal). Fabricavam suas próprias roupas, plantavam sua comida, faziam sua mobília, etc)
Princípios básicos: Voto de pobreza; Voto de Castidade; Voto de Obediência;
Bento cria sua regra para a vida monástica;
Cito Curtis:
“A adoração desempenhava papel muito grande na vida monástica. Aregra de São Bento prescrevia sete cultos por dia, incluindo-se um culto de vi¬gília que acontecia às duas horas da manhã, considerado muito importan¬te. Cada culto tinha cerca de vinte minutos e consistia praticamente da recitação de salmos.
Além da adoração pública, os mon¬ges tomavam parte em devoções pes¬soais: leitura da Bíblia, meditação e oração. Embora muitos acusassem as comunidades monásticas de se afas¬tarem do mundo, os monges sempre oravam por quem estava fora de seus muros.
"O ócio é o inimigo da alma", de¬clarava a Regra. Assim, todos os mon¬ges tinham de tomar parte no traba¬lho manual, incluindo a preparação de alimentos.
Embora essa vida de trabalho, ora¬ção e adoração possa parecer tediosa, foi uma tentativa de criar uma vida ordeira sem ir a estremos.
Bento também tentou disponibi¬lizar a vida santa aos seres humanos comuns. Em sua regra, escreveu: "Se parecemos muito severos, não se as¬suste e não saia correndo. A entrada para o caminho da salvação deve ser estreita. Contudo, conforme você progride na vida da fé, o coração se expande e anda mais rápido com a doçura do amor por todas as veredas dos mandamentos de Deus".
Vivendo em uma era cruel e ins¬tável, o monasticismo beneditino for¬neceu refúgio aos que eram sensíveis à religião.”

527 – 565 – JUSTINIANO É IMPERADOR
Luta pela unificação da Igreja;
Combate Heresias;
Fechou escolas de filosofia;
Expulsou pagãos dos cargos públicos;
Editou novas leis gerais para o Império;
Era um grande estudioso da Palavra, vivia fechado em salas estudando as escrituras até a alta madrugada;
Vivia vida regrada, na maior parte do tempo;
Casou-se com Teodora, mulher de índole discutível. Com certeza um mal exemplo de mulher, apesar de bela;
Cito Durant, Idade da Fé:
“ Sem discutirmos seu passado, vemos que Teodora se tornara uma matrona cuja ho¬nestidade, como imperatriz, ninguém contestava. Era ávida por dinheiro, cedia, de vez em quando, a suas explosões de cólera e, vez por outra, tecia suas intrigas para conseguir objetivos opostos aos de Justiniano. Dormia muito, apreciava boas iguarias e bons vinhos, gostava de jóias e de uma vida luxuosa e cheia de ostentação e passava muitos meses do ano em seus palácios à beira-mar. Justiniano mostrava-se sempre apaixonado por ela, e com paciência filosófica suportava-lhe a interferência em seus planos. Dera-lhe direitos de soberano teoricamente iguais aos seus, não podia, por is¬so, queixar-se por exercê-los ela à sua vontade. Teodora participou ativamente da di¬plomacia e da política eclesiástica, nomeou e demitiu papas e patriarcas e depôs seus inimigos. Anulava, às vezes, as ordens do marido, na maioria dos casos com vanta¬gens para o Estado.11 Sua inteligência quase se igualava a sua força. Procópio acusa-a de crueldade para com os adversários, dizendo que os atirava em calabouços e que ha¬via assassinado alguns deles, acrescentando que estavam fadados a desaparecer sem deixar traços os homens que a ofendiam, à semelhança do que acontece com certos políticos de nosso século. Mas ela sabia ser magnânima também. Protegeu durante dois anos o patriarca Antêmio que havia sido exilado por Tustiniano devido a uma heresia, ocultando-o em seus próprios aposentos. Talvez ela tivesse sido demasiado complacente para com os adultérios da esposa de Belisário; contrabalançou isso cons¬truíndo um belo convento para as prostitutas que se haviam regenerado, dando-lhe o nome de "Convento do Arrependimento". Algumas das jovens arrependiam-se da¬quela nova vida que ela lhes oferecia, fugia através das janelas, horrivelmente enfa¬dadas. Teodora assumia Interesse verdadeiramente maternal pelos casamentos de suas amigas, arranjara muitos deles e, às vezes, impunha o casamento corno condição para promoção na corte. Corno se podia esperar, tornou-se, na velhice, urna guardiã muito severa da moral pública.
Interessou-se, no fim, pela teologia'e travou muitas discussões com o marido sobre a natureza de Cristo. justiniano esforçou-se por unir a Igreja do Oriente à do Ociden¬te, pois achava indispensável para a unidade do Império que houvesse espírito de união entre as Igrejas. Contudo, Teodora não podia compreender a doutrina das duas naturezas em Cristo, embora não levantasse dificuldades sobre a que se referia às três pessoas em Deus. Adotou a doutrina monofisita, percebendo que, nesse ponto, o Oriente não cederia ao Ocidente e achou que o poderio e a sorte do Império jaziam mais nas ricas províncias da Ásia, Síria e Egito do que nas províncias ocidentais, que haviam ficado arruinadas pelo barbarismo e pelas guerras. Suavizou a intolerância or¬todoxa de justiniano, protegeu os hereges, desafiou o papado, encorajou, em segre¬do, a criação de urna Igreja monofisita livre no Oriente e, com isso, combateu tenaz e inexoravelmente o imperador e o papa.”
Monofisismo, a heresia do período;
Cito Durant, Idade da Fé:
“O Monofisismo que defendia apaixonadamente a doutrina de uma única natureza em Cristo havia-se tornado no Egito quase tão numeroso quanto os católicos. Tinha progredido tanto em Alexandria que, por sua vez, ficou dividida em monofisitas or¬todoxos e heterodoxos. As duas facções travavam lutas nas ruas e nisso eram auxiliadas pelas mulheres, que dos telhados arremessavam setas e dardos contra os adversários. As forças do imperador instalaram um bispo católico na diocese de Atanásio; o seu primeiro sermão foi recebido com uma saraivada de pedras pela população, a qual foi massacrada in situ pelos soldados imperiais. Enquanto o catolicismo controlava o episcopado de Alexandria, ia-se espalhando a heresia pelos campos; os camponeses não davam atenção aos decretos do patriarca, tampouco às ordens do imperador, e o Egito já estava quase perdido para o Império um século antes da chegada dos árabes.
Nessa questão, como em muitas outras, a persistente Teodora acabava sempre do. minando o vacilanteJustiniano. Ela teceu suas intrigas com Virgílio, um diácono ro• mano, para nomeá•lo papa se ele fizesse certas concessões aos monofisitas. O Papa Silvério foi arrancado de Roma por Belisário (53 7) e exilado para a ilha de Palmária, onde logo morreu em virtude dos maus tratos que recebeu. Virgílio foi então nomea¬do por ordem do imperador. Justiniano concordou finalmente com o ponto de vista de Teodora - de que não se podia destruir o monofisismo, e procurou acalmar seus adeptos redigindo um documento de teologia imperial conhecido pelo nome de Três Capítulos. Chamou Virgílio a Constantinopla e pediu.lhe que subscrevesse o docu¬mento. Virgílio, embora relutante, anuiu em fazê•lo. Foi o bastante para que o clero catól1co africano o excomungasse (550). Virgílio anulou sua anuência e foi exilado por Justiniano para um rochedo no Proconeso. Novamente concordou com o documento, obtendo permissão para voltar para Roma, porém morreu durante a viagem (555).Ja¬mais um imperador fizera assim abertamente ta s tentativas para dominar o papado. Justiniano reuniu um concílio ecumênico em Constantinopla (553); poucos foram os bispos ocidentais que a ele compareceram. Aprovaram as fórmulas do imperador, mas a Igreja ocidental as repeliu, e os cristãos do Oriente e Ocidente novamente se dividiram, e assim permaneceram durante um século.”
553 – Concílio em Constantinopla;
Condena os ‘três capítulos’ de Justiniano e confirma o concílio anterior;
O fim de Justiniano;
Rejeição de sua teologia por parte da Igreja o deixa desanimado;
Morte de Teodora abala o imperador;
Calamidades tomam o Império;
Cito Durant, Idade da Fé:
“(...) abateu-lhe a coragem, o espírito e as forças. Estava então com 65 anos, enfraquecido pelo ascetismo e intermitentes cri¬ses. Deixara a direção do governo a seus subalternos, negligenciara-se das defesas que lhe custara tanto construir e dedicara-se à teologia. Uma série de catástrofes obscure¬ceuosúltimos 16 anos l)e sua vida. Os terremotos eram freqüentes no reino e des¬truíram uma dezena de cidades, cuja reconstrução constituiu verdadeira sangria no tesouro. Em 542 surgira a peste com todos os seuS horrores; em 556 irrompeu a fome e, em 558, novamente a peste, Em 559, os hunos de Kotrigur atravessaram o Danúbio, saquearam a Mésia e a Trácia, fizeram milhares de prisioneiros, violaram matronas, virgens e freiras, atiraram aos cães as crianças que as mulheres haviam dado à luz durante a sua marcha, e avançaram rumo às muralhas de Constantinopla”

590 – PAPA GREGÓRIO
Quando jovem foi prefeito de Roma, mas renunciou;
Tornou-se monge; Depois Abade;
Era um homem humilde;
Contra sua vontade foi escolhido unanimemente como novo Papa;
Contornou conflitos e invasões à cidade de Roma;
Valorizava o papel do clero enquanto pastorado;
Cito Curtis:
“Gregório, porém, não tinha ambi¬ções polí íticas. Seus interesses eram espirituais. Extremamente preocupa¬do com o cuidado pastora], insistia em que o clero visse a si mesmo como um grupo de pastores e servos do rebanho. Dizia que era "servo dos servos de Deus", e sua obra intitulada Livro do cuidado pastoral - um estu¬do maravilhosamente criterioso sobre as provações espirituais das pessoas e a maneira pela qual o clero deveria lidar com elas - tornou-se uma es¬pécie de livro-texto ministerial da Idade Média.”
Valorizou em seu discurso o sobrenatural dos santos;
Cito Curtis:
“Outra obra sua, Diálogos, foi a primeira tentativa de hagíografia - bio¬grafia dos santos - que enfatizava o fantástico e o miraculoso, o que aca¬bou por transformar os santos em uma espécie de super-heróis da épo¬ca. Durante seu papada, a veneração de partes do corpo, de roupas e de outros pertences dos santos foi en¬corajada, e isso viria a se transformar em uma das marcas da piedade medieval. Por vários séculos, nenhuma igreja poderia se estabelecer se não tivesse alguma relíquia de um santo para ser colocada nela.”
Pregou a idéia grega da existência de um purgatório:
Cito Curtis:
“Embora Gregório não afirmasse ser teólogo, algumas de suas crenças se tornaram essenciais para a teolo¬gia católica. Ele acreditava no purga¬tório e ensinava que as missas cele¬bradas a favor dos mortos poderiam aliviar as dores dos que estavam na¬quele local. Além disso, ajudou a po¬pularizar o ensino de Dionísio Areo¬pagita, que escreveu sobre diversas categorias de anjos. Depois de Gre¬gório, essas idéias se tornariam gran¬demente aceitas.”
Cito Anglin:
“ Apesar do zelo dos missionários nessa época, as trevas aumentaram por todos os lados, e o poder corruptor de Roma aumentou também de uma maneira assustadora. A simplicidade do culto cristão estava sempre sofrendo contínuas inovações, e várias doutrinas de caráter duvido¬so tinham invadido a igreja. Foi no tempo de Gregório que a abominável idéia do Purgatório foi primeiramente discutida. Ele próprio falou de "purificação por meio de fogo, como sendo um fato decidido", mal pensando que esta fic¬ção pagã. hávia de ser mais tarde o pretexto da venda de in¬dulgências. Ainda assim as suas idéias sobre o assunto eram apenas vagas, quase tão vagas como, na verdade eram as especulações de Agostinho, que foi o primeiro a lembrar a doutrina de um estado médio. Mesmo presente¬mente há muita incerteza entre os escritores romanos sobre este assunto; e as visões do Purgatório com que, como dizem, têm sido de tempos a tempos favorecidos os monges e padres, são extraordinariamente contraditórias. Contudo, só na Idade Média, nesse tempo tão supersticio¬so, é que essas histórias absurdas espalharam-se entre os crédulos”
Incentivou missões cristãs por muitos lugares, principalmente pela Grã-bretanha;
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