O LOUVOR É TRANSCEDENTE

terça-feira, 16 de abril de 2013

HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ NOS PRIMEIROS SÉCULOS


A palavra igreja vem do grego ekklesiaque tem origem em kaleo ("chamo ou convosco"). Na literatura secular, ekklesia referia-se a uma assembléia de pessoas, mas no NT a palavra tem sentido mais especializado. A literatura secular podia usar a apalavra ekklesia para denotar um levante, um comício, uma orgia ou uma reunião para qualquer outra finalidade. Mas o NT emprega ekklesia com referência à reunião de crentes cristãos para adorar a Cristo.



Que é a igreja? Que pessoas constituem esta "reunião"? Que é que Paulo prentende dizer quando chama a igreja de "corpo de Cristo"?
Para responder plenamente a essas perguntas, precisamos entender o contexto social e histórico da igreja do NT. A igreja  primitiva surgiu no cruzamento das culturas hebraicas e helenística. 

Fundada a Igreja
Quarenta dias depois de sua ressurreição, Jesus deu instruções finais aos discípulos e ascendeu ao céu (At 1.1-11). Os discípulos voltaram a Jerusalém e se recolheram durante alguns dias para jejum e oração, aguardando o ES, o qual Jesus disse que viria. Cerca de 120 pessoas seguidores de Jesus aguardavam.
Cinqüenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecoste, um som como um vento impetuoso encheu a casa onde o grupo se reunia. Línguas de fogo pousaram sobre cada um deles e começaram a falar em línguas diferente da sua conforme o ES os capacitava. Os visitantes estrangeiros ficaram surpresos ao ouvir os discípulo falando em suas próprias línguas. Alguns zombaram, dizendo que deviam estar embriagados (At 2.13).
Mas Pedro fez calar a multidão e explicou que estavam dando testemunho do derramamento do ES predito pelos profetas do AT (At 2.16-21; Jl 2.28-32). Alguns dos observadores estrangeiros perguntaram o que deviam fazer para receber o ES. Pedro disse: " Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo " (At 2.38). Cerca de 3 mil pessoas aceitaram a Cristo como seu Salvador naquele dia (Atos 2.41).
Durante alguns anos Jerusalém foi o centro da igreja. Muitos judeus acreditavam que os seguidores de Jesus eram apenas outra seita do judaísmo. Suspeitavam que os cristãos estavam tentando começar um nova "religião de mistério" em torno  de Jesus de Nazaré.
É verdade que muitos dos cristãos primitivos continuaram a cultuar no templo (At 3.1) e alguns insistiam em que os convertidos gentios deviam ser circuncidados (At 15). Mas os dirigentes judeus logo perceberam que os cristãos eram mais do que uma seita. Jesus havia dito aos judeus que Deus faria uma Nova Aliança com aqueles que lhe fossem fiéis (Mt 16.18);  ele havia selado esta aliança com seu próprio sangue (Lc 22.20). De modo que os cristãos primitivos proclamavam com ousadia haverem herdados os privilégios  que Israel conhecera outrora. Não eram simplesmente uma parte de Israel - eram o novo Israel (Ap 3.12; 21.2; Mt 26.28; Hb 8.8; 9.15). "Os líderes judeus tinham um medo de arrepiar, porque este novo e estranho ensino não era um judaísmo estreito, mas fundia o privilégio de Israel na alta revelação de um só Pai de todos os homens." (Henry Melvill Gwatkin, Early Church History,  pag 18).

a) A Comunidade de Jerusalém.
Os primeiros cristãos formavam uma comunidade estreitamente unida em Jerusalém após o dia de Pentecoste. Esperavam que Cristo voltasse muito em breve.
Os cristãos de Jerusalém repartiam todos os seus bens materiais (At 2.44-45). Muitos vendiam suas propriedades e davam à igreja o produto da venda, a qual distribuía esses recursos entre o grupo ( At  4.34-35).
Os cristãos de Jerusalém ainda iam ao templo para orar (At 2.46), mas começaram a partilhar  a Ceia do Senhor em seus próprios lares (At 2.42-46). Estsa refeição simbólica trazia-lhes à mente sua nova aliança com Deus, a qual Jesus havia feito sacrificando seu próprio corpo e sangue.
Deus operava milagres de cura por intermédio desses primeiros cristãos. Pessoas enfermas reuniam-se no templo de sorte que os apóstolo pudessem tocá-las em seu caminho para a oração (At 5.12-16). Esses milagres convenceram muitos de que os cristãos estavam verdadeiramente servindo a Deus. As autoridades do templo, num esforço por suprimir o interesse das pessoas na nova religião, prenderam os apóstolos. Mas Deus enviou um anjo para libertá-los (At 5.17-20),  o que provocou mais excitação.
A igreja crescia com tanta rapidez que os apóstolos tiveram de nomear sete homens para distribuir víveres às viúvas necessitadas. O dirigente desses homens era Estêvão, "homem cheio de fé e do  Espírito Santo" (At 6.5). Aqui vemos o começo do governo eclesiástico. Os apóstolos tiveram de delegar alguns de seus deveres a outros dirigentes. À medida que o tempo passava, os ofícios da igreja foram dispostos numa estrutura um tanto complexa.

O Assassínio de Estêvão

Certo dia um grupo de judeus apoderou-se de Estêvão e, acusando-o de blasfêmia, o levou à presença do conselho do sumo sacerdote. Estevão fez uma eloqüente defesa da fé cristã, explicando como Jesus cumpriu as antigas profecias referentes ao Messias que libertaria seu povo da escravidão do pecado. Ele denunciou os judeus como "traidores e assassinos" do filho de Deus (At 7.52). Erguendo os olhos para o céu, ele exclamou que via a Jesus em pé à destra de Deus          ( At 7.55). Isso enfureceu os judeus, que o levaram para fora da cidade e o apedrejaram (At 7.58-60).
Esse fato deu início a uma onde de perseguição que levou muitos cristãos a abandonarem Jerusalém (At 8.1). Alguns desses cristãos estabeleceram-se entre os gentios de Samaria, onde fizeram muitos convertidos (At 8.5-8). Estabeleceram congregações em diversas cidades gentias, como Antioquia da Síria. A princípio os cristãos hesitavam em receber os gentios na igreja, porque eles viam a igreja como um cumprimento da profecia judaica. Não obstante, Cristo havia instruído seus seguidores a fazer "discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28.19). Assim, a conversão dos gentios foi "tão-somente o cumprimento da comissão do Senhor, e o resultado natural de tudo o que havia acontecido..." (Gwatkin, Early Church History, p. 56). Por conseguinte, o assassínio de Estêvão deu início a uma era de rápida expansão da igreja.

c) Atividades Missionárias.
Cristo havia estabelecido sua igreja na encruzilhada do mundo antigo. As rotas comerciais traziam mercadores e embaixadores através da Palestina, onde eles entravam em contato com o evangelho. Dessa maneira, no livro de Atos vemos a conversão de oficiais de Roma (At 10.1-48), da Etiópia         ( At 8.26-40), e de outras terras.
Logo depois da morte de Estêvão, a igreja deu início a uma atividade sistemática para levar o evangelho a outras nações. Pedro visitou as principais cidades da Palestina, pregando tanto a judeus como aos gentios. Outros foram para a Fenícia, Chipre e Antioquia da Síria. Ouvindo que o evangelho era bem recebido nessas regiões, a igreja de Jerusalém enviou a Barnabé para incentivar os novos cristãos em Antioquia (At 11.22-23). Barnabé, a seguir, foi para Tarso em busca do jovem convertido Saulo (Paulo) e o levou para a Antioquia, onde ensinaram na igreja durante um ano (At 11.26).
Um profeta por nome Ágabo predisse que o Império Romano sofreria uma grande fome sob o governo do Imperador Cláudio. Herodes Agripa estava perseguindo a igreja em Jerusalém; Ele já havia executado a Tiago, irmão de João, e tinha lançado Pedro na prisão ( At 12.1-4). Assim os cristãos de Antioquia coletaram dinheiro para enviar a seus amigos em Jerusalém, e despacharam Barnabé e Paulo com o socorro. Os dois voltaram de Jerusalém levando um jovem chamado João Marcos (At 12.25). Por esta ocasião, diversos evangelistas haviam surgido no seio da igreja de Antioquia, de modo que a congregação enviou Barnabé e Paulo numa viagem missionária à Ásia Menor ( At 13-14). Esta foi a primeira de três grandes viagens missionárias que Paulo  fez para levar o evangelho aos recantos longínquos do Império Romano. 
Os primeiros missionários cristãos concentraram seus ensinos na Pessoa e obra de Jesus Cristo. Declararam que ele era o servo impecável e Filho de Deus que havia dado sua vida para expiar os pecados de todas as pessoas que depositavam sua confiança nele (Rm 5.8-10). Ele era aquele a quem Deus ressuscitou dos mortos para derrotar o poder do pecado (Rm 4.24-25; 1Co 15.17).
d) Governo Eclesiástico.
A princípio, os seguidores de Jesus não viram a necessidade de desenvolver um sistema de governo da Igreja. Esperavam que Cristo voltasse em breve, por isso tratavam os problemas internos à medida  que surgiam - geralmente de um modo muito informal.
Mas o tempo em que Paulo escreveu suas cartas às igrejas, os cristãos reconheciam a necessidade de organizar o seu trabalho. O NT não nos dá um quadro pormenorizado deste governo da igreja primitiva. Evidentemente, um ou mais presbíteros presidiam os negócios de cada congregação (Rm 12.6-8; 1Ts 5.12; Hb 13.7,17,24), exatamente como os anciãos faziam nas sinagogas judaicas. Esses anciãos (ou presbíteros) eram escolhidos pelo ES (At 20.28), mas os apóstolos os nomeavam (At 14.23). Por conseguinte, o Espírito Santo trabalhava por meio dos apóstolos ordenando líderes pra o ministério. Alguns  ministros chamados  evangelistas parecem ter viajado de uma congregação para outra, como faziam os apóstolos. Seu título significa "homens que manuseiam o evangelho". Alguns têm achado que eram todos representantes pessoais dos apóstolos, como Timóteo o foi de Paulo; outros supõem que obtiveram esse nome por manifestarem  um dom especial de evangelização. Os anciãos assumiam os deveres pastorais normais entre as visitas desses evangelistas.
Algumas cartas do NT referem-se a bispos na igreja primitiva. Isto é um bocado confuso, visto que esses "bispos" não formavam uma ordem superior da liderança eclesiástica como ocorre em algumas igrejas onde o título é usado hoje. Paulo lembrou aos presbíteros de Éfeso que eles eram bispos (At 20.28), e parece que ele usa os termos presbítero e bispo intercambiavelmente (Tt 1.5-9). Tanto os bispos como os presbíteros estavam encarregados de supervisar uma congregação. Evidentemente, ambos os termos se referem aos mesmos ministros  da igreja primitiva, a saber, os presbíteros.
Paulo e os demais apóstolos reconheceram que o ES concedia habilidades especiais de liderança a certas pessoas (1Co 12.28). Assim, quando conferiam um título oficial a um irmão ou irmã em Cristo, estavam confirmando o que o Espírito Santo já havia feito.
A igreja primitiva não possuía um centro terrenal de poder. Os cristãos entendiam que Cristo era o centro de todos os seus poderes (At 20.28). O ministério significava servir em humildade, em vez de governar de uma posição elevada (Mt 20.26-28). Ao tempo em que Paulo escreveu suas epístolas pastorais, os cristãos reconheciam a importância de preservar  os ensinos de Cristo por intermédio de ministros que se devotavam a estudo especial, "que maneja bem a palavra da verdade"               (2Tm 2.15). A igreja primitiva não oferecia poderes mágicos, por meio de rituais ou de qualquer outro modo. Os cristãos convidavam os incrédulos para fazer parte de seu grupo, o copo de Cristo                (Ef 1.23),  que seria salvo como um todo. Os apóstolos e os evangelistas proclamavam que Cristo voltaria para o seu povo, a "noiva" de Cristo (Ap 21.2; 22.17). Negavam que indivíduos pudessem obter poderes especiais de Cristo para seus próprios fins egoístas (At 8.9-24; 13.7-12).

e) Padrões de Adoração.
Visto que os cristãos primitivos adoravam juntos, estabeleceram padrões de adoração que diferiam muito dos cultos da sinagoga. Não temos um quadro claro da adoração Cristã primitiva até 150 dC, quando Justino Mártir descreveu os cultos típicos de adoração. Sabemos que a igreja primitiva realizava seus serviços no domingo, o primeiro dia sa semana. Chamavam-no de "o Dia do Senhor" porque foi o dia em que Cristo ressurgiu dos mortos. Os primeiros cristãos reuniam-se no templo em Jerusalém, nas sinagogas, ou nos lares ( At 2.46; 13.14-16; 20.7-8). Alguns estudiosos crêem que a referência aos ensino de Paulo na escola de Tirano (At 19.9) indica que os primitivos cristãos às vezes alugavam prédios de escola ou outras instalações. Não temos prova alguma de que os cristãos tenham construído instalações especial para seus cultos de adoração durante mais de um século após o tempo de Cristo. Onde os cristãos eram perseguidos, reuniam-se em lugares secretos como as catacumbas (túmulos subterrâneos) de Roma.
Crêem os eruditos que os primeiros cristãos adoravam nas noites de domingo, e que seu culto girava em torno da Ceia do Senhor. Mas nalgum  ponto os cristãos começavam a manter dois cutos de adoração no domingo, conforme descreve Justino Mártir - um bem cedo de manhã e outro ao entardecer. As horas eram escolhidas por questão de segredo e para atender às pessoas trabalhadoras que não podiam comparecer aos cultos de adoração durante o dia.

- Ordem do Culto: Geralmente o culto matutino era uma ocasião de louvor, oração e pregação. O serviço improvisado de adoração dos cristãos no Dia de Pentecoste sugere um padrão de adoração que podia ter sido geralmente adotado. Primeiro, Pedro leu as Escrituras. Depois pregou um sermão que aplicou as Escrituras à situação presente dos adoradores (At 2.14-36). As pessoas que aceitavam a Cristo eram batizadas, seguindo o exemplo do próprio Senhor.  Os adoradores participavam dos cânticos, dos testemunhos ou de palavras de exortação        (1Co 14.26).

- A Ceia do Senhor: Os primitivos cristãos tomavam a refeição simbólica da Ceia do Senhor para  comemorar a Última Ceia, na qual Jesus e seus discípulos observaram a tradicional festa judaica da Páscoa. Os temas dos dois eventos eram os mesmo. Na Páscoa os judeus regozijavam-se porque Deus os havia libertado de seus inimigos e aguardavam com expectação o futuro como filhos de Deus. Na  Ceia do Senhor, os cristãos celebravam o modo como Jesus os havia libertado do pecado e expressavam sua esperança pelo dia quando Cristo voltaria   (1Co 11.26).  A princípio, a Ceia do Senhor era uma refeição completa que os cristãos partilhavam em suas casas. Cada convidado trazia um prato para a mesa comum. A refeição começava  com oração e com o comer de pedacinhos de um único pão que representava o corpo partido de Cristo. Encerrava-se a refeição com outra oração e a seguir participavam de uma taça de vinho, que representava o sangue vertido de Cristo.
Algumas pessoas conjeturavam que os cristãos estavam participando de um rito secreto quando observavam a Ceia do Senhor, e inventaram estranhas histórias a respeito desses cultos. O imperador Trajano proscreveu essas reuniões secretas por volta do ano 100 dC. Nesse tempo os cristãos começaram a observar a Ceia do Senhor durante o culto matutino de adoração, aberto ao público.

- Batismo: O batismo era um acontecimento comum da adoração cristã no templo de Paulo  (Ef 4.5). Contudo, os cristãos não foram os primeiros a celebrar o batismo. Os judeus batizavam seus convertidos gentios; algumas seitas judaicas praticavam o batismo como símbolo de purificação, e João Batista fez dele uma importante parte de seu ministério. O NT não diz se Jesus batizava regularmente seus convertidos, mas numa ocasião, pelo menos, antes da prisão de João, ele foi encontrado batizando. Em todo o caso, os primitivos cristãos eram batizados em nome de Jesus, seguindo o seu próprio exemplo (Mc 1.10; Gl 3.27).
Parece que os primitivos cristãos interpretavam o significado do batismo de vários modos - como símbolo da morte de uma pessoa para o pecado (Rm 6.4; Gl 2.12), da purificação  de pecados (At 22.16; Ef 5.26), e da nova vida em Cristo (At 2.41; Rm 6.3). De quando em quando toda a família de um novo convertido era batizada (At 10.48; 16.33; 1Co 1.16), o que pode significar o desejo da pessoa de consagrar a Cristo tudo quanto tinha.

- Calendário Eclesiástico: O NT não apresenta evidência alguma de que a igreja primitiva observava quaisquer dias santos, a não ser sua adoração no primeiro dia da semana (At 20.7; 1Co 16.2; Ap 1.10). Os cristãos não observam o domingo como dia de descanso até ao quarto século de nossa era, quando o imperador Constantino designou-o como um dia santo para todo o Império Romano. Os primitivos cristãos não confundiam o domingo com o sábado judaico, e não faziam tentativa alguma para aplicar a ele a legislação referente ao sábado.
O historiador Eusébio diz-nos que os cristãos celebravam a Páscoa desde os tempos apostólicos; 1Co 5.6-8 talvez se refira a uma Páscoa cristã na mesma ocasião da Páscoa judaica. Por volta do ano 120 dC, a igreja de Roma mudou a celebração para o domingo após a Páscoa judaica enquanto a igreja Ortodoxa Oriental continuou a celebrá-la na Páscoa Judaica.

f) Conceito do NT sobre a Igreja.
É interessante pesquisar vários conceitos de igreja no NT. A Bíblia refere-se aos primeiros cristãos como família e templo de Deus, como rebanho e noiva de Cristo, como sal, como fermento, como pescadores, como baluarte sustentador da verdade de Deus, de muitas outras maneiras. Pensava-se na igreja como uma comunidade mundial única de crentes, da qual cada congregação local era afloramento e amostra. Os primitivos escritores cristãos muitas vezes se referiam à igreja como o "corpo de Cristo" e o "novo Israel".  Esses dois conceitos revelam muito da compreensão que os primitivos cristãos tinha da sua missão no mundo.

- O Corpo de Cristo: Paulo descreve a igreja como "um só corpo em Cristo" (Rm 12.5) e "seu corpo" (Ef 1.23). Em outras palavras, a igreja encerra numa comunhão única de vida divina todos os que são unidos a Cristo pelo ES mediante a fé. Esses participam da ressurreição  (Rm 6.8), e são a um tempo chamados e capacitados  para continuar seu ministério de servir e sofrer para abençoar a outros (1Co 12.14-26). Estão ligados numa comunidade que personifica o reino de Deus no mundo.
Pelo fato de estarem ligados a outros cristãos, essas pessoas entendiam que o que faziam com seus próprios corpos e capacidades era muito importante (Rm 12.1; 1Co 6.13-19; 2Co 5.10). Entendiam que as várias raças e classes tornam-se uma em Cristo (1Co 12.3; Ef  2.14-22), e deviam aceitar-se e amar-se uns aos outros de um modo que revelasse tal realidade.
Descrevendo a igreja com o corpo de Cristo, os primeiros cristãos acentuaram que Cristo era o cabeça da igreja (Ef 5.23). Ele orientava as ações da igreja e merecia todo o louvor que ela recebia. Todo o poder da igreja para adorar e servir era dom de Cristo.

- O Novo Israel: Os primitivos cristãos identificavam-se com Israel, povo escolhido de Deus. Acreditavam que a vinda e o ministério  de Jesus cumpriram a promessa de Deus aos patriarcas (Mt 2.6; Lc 1.68; At 5.31), e sustentavam que Deus havia estabelecido uma Nova Aliança com os seguidores de Jesus (2Co 3.6; Hb 7.22, 9.15).
Deus, sustentavam eles, havia estabelecido seu novo Israel na base da salvação pessoal, e não  em linhagem de família. Sua igreja era uma nação espiritual que transcendia a todas as heranças culturais e nacionais. Quem quer que depositasse fé na Nova Aliança de Deus, rendesse a vida a Cristo, tornava-se descendente espiritual de Abraão e, como tal, passava a fazer parte do "novo Israel" (Mt 8.11; Lc 13.28-30; Rm 4.9-25; Gl 3-4; Hb 11-12).

- Características Comuns: Algumas qualidades comuns emergem das muitas imagens da igreja que encontramos no NT. Todas elas mostram que a igreja existe porque Deus trouxe à existência. Cristo comissionou seus seguidores a levar avante a sua obra, e essa é a razão da existência da igreja.
As várias imagens que o NT apresenta da igreja acentuam que o Espírito Santo a dota de poder e determina a sua direção. Os membros da igreja participam de uma tarefa comum e de um destino comum sob a orientação do Espírito.
A igreja é uma entidade viva e ativa. Ela participa dos negócios deste mundo; demonstra o modo de vida que Deus tenciona para todas as pessoas, e proclamam a Palavra de Deus para a era presente. A unidade e a pureza espirituais da igreja estão em nítido contraste com a inimizade e a corrupção do mundo. É responsabilidade da igreja em todas as congregações particulares mediante as quais ela se torna visível, praticar a unidade, o amor e  cuidado de um modo que mostre que Cristo vive verdadeiramente naqueles que são membros do seu corpo, de sorte que a vida deles é a vida de Cristo neles. 


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sábado, 6 de abril de 2013

PRIMEIROS PROTESTANTES NO BRASIL


No dia 7 de março de 1557 Chegam ao Brasil os primeiros missionários calvinistas (huguenotes-franceses), enviados por João Calvino à França Antártica antiga colonia francesa na Baía de Guanabara atual Estado do Rio de Janeiro liderados pelos Reverendos Pierre Richier e Guillaume Chartier, realizando o primeiro culto e no dia 21 a primeira Santa Ceia nas Américas no dia do mesmo mês.
Os minissionários calvinistas fundaram 22 igrejas protestantes no Nordeste, sendo que a maior era a do Recife e contava, inclusive, com uma congregação inglesa e uma francesa.
Esta se reunia no templo gálico, que tinha no conde João Maurício de Nassau seu membro mais ilustre.
As igrejas foram servidas por mais de 50 pastores (“predicantes”), além de pregadores auxiliares (“proponentes”) e outros oficiais.
A Igreja Reformada Holandesa batizou índios, lutou por sua libertação e pretendia traduzir a Bíblia para o tupi e ordenar pastores indígenas.

Pr. Dr. Antônio Carlos Agda Novaes


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terça-feira, 2 de abril de 2013

Pastor Marco Feliciano enfrenta tumulto e momentos tensos na 1ª sessão da CDH – Assista


O Deputado e pastor Marco Feliciano presidindo a primeira sessão da CDH teve como já era esperado resistência e muita confusão pelo grupo de deputados contrários a sua eleição, que tentaram tumultuar a reunião. O pastor em seu site lista os 8 requerimentos que apesar da confusão 4 foram votados após as manifestações.-Confira, Assista e comente..


Nesta quarta-feira (13) como previsto iniciou o trabalho do Deputado Pastor Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direito Humanos e Minorias.

Como de previsto houve manifestações e muita confusão provocada pelos grupos de esquerda e deputados contrários a eleição do Deputado Pastor Marco Feliciano tentaram tumultuar a reunião, o tumulto maior se estendeu por pelo menos 1h, na sequencia toda reunião também foi tumultuada, mas apenas com pequenos focos de protesto.

O Plenário 9 da Câmara dos Deputados estava lotado para a primeira reunião da Comissão de Direitos Humanos realizada sob o comando do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), na tarde desta quarta-feira. De um lado da sala, apoiadores do parlamentar; de outro, manifestantes a favor dos direitos humanos. Ambos gritavam, a todo instante, palavras de ordem a favor e contra o deputado.


Ao final de quase três horas de reunião – que, por conta da confusão, não conseguiu votar os oito requerimentos apenas 4 como esta no post do site do pastor, que constavam na pauta -, poucos ativistas pró Feliciano restaram, enquanto os contrários ao parlamentar só aumentavam sua participação – inclusive do lado de fora do plenário. Tamanha era a procura, que telões foram disponibilizados em duas outras salas para que os interessados acompanhassem a reunião.

No início, o PT – que conta com três deputados na CDH – entrou em obstrução e os parlamentares não assinaram a lista de presença. A deputada Érika Kokay (PT-DF) pediu verificação de quórum durante a votação do primeiro requerimento e teve a palavra cassada por Feliciano. A deputada afirmou que não reconhecia o colega como presidente do colegiado e, em vez de “presidente”, como tradicionalmente acontece, a Érika chamava o deputado de “Pastor Feliciano”, causando a revolta dos presentes.
Tumulto e provocação

Insatisfeitos com a atitude de Feliciano, os deputados Nilmário Miranda (PT-MG) e Dumingos Dutra (PT-SP)-foto- se dirigiram à mesa para reclamar com o presidente da CDH. O colega, deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que ocupava uma mesa na presidência do colegiado, saiu em defesa de Feliciano – e quase chegou às vias de fato com Dutra, que precisou ser amparado por assessores depois do episódio. Kokay e Dutra abandonaram a sessão logo em seguida.


A maior parte da confusão aconteceu justamente entre Bolsonaro e os ativistas pelos direitos humanos. Quando os manifestantes começavam a gritar palavras de ordem, Bolsonaro se dirigia à multidão, dizendo: “O pessoal do zoológico, fiquem quietos”. A certa altura, Bolsonaro escreveu em uma folha de papel “queima-rosca todo dia” e mostrou aos manifestantes, que partiram para cima do deputado, sem agredi-lo.


Depois de duas horas e meia de reunião, Feliciano finalizou a sessão e foi escoltado por seguranças legislativos, manifestantes e jornalistas para fora do plenário. Houve um princípio de tumulto e um dos manifestantes conseguiu dar um empurrão no rosto do deputado. Ele foi imediatamente segurado pelos policiais e negou a agressão. O parlamentar saiu do corredor por uma escada, onde o acesso dos demais foi proibido. Os manifestantes, então, seguiram em coro pelos corredores da Câmara.

Assista vídeo matéria do Jornal Nacional pela repórter Giuliana Morrone/Brasilia e comente…


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domingo, 31 de março de 2013

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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Você é alienado, alienante ou “alienista”?

Por Cristiano Bodart

Qual sua posição no mundo social? Você é alienado, alienante ou “alienista”? Antes de tentar a autoclassificação apresentaremos brevemente o que chamamos aqui de “alienado”, “alienante” e “alienista”.
Na sua origem etimológica a palavra alienação vem do latim alienus, que significa “alheio”, "o que pertence a um outro".
A palavra alienação tem significados diferentes porém próximos. No Direito, a alienação está ligado a transferência da posse ou do direito de propriedade para uma outra pessoa. Na psiquiatria alienação foi durante muito tempo sinônimo de grave doença mental, a ponto de o indivíduo perder sua noção de identidade e de realidade.
Na Filosofia o conceito de alienação foi trazido em evidência por Hegel e retomado, posteriormente, por Feuerbach e Marx. No século XX, autores como Luckács, Marcuse e Sartre tornam o conceito central em muitas de suas análises. Em todos os casos, com pequenas diferenças, os significados dado a palavra “alienação” convergem à definição de Allen W. Wood. Para este autor,



“a alienação refere-se, fundamentalmente, a uma espécie de atividade na qual a essência do agente é afirmada como algo externo ou estranho a ele, assumindo a forma de uma dominação hostil sobre o agente” (WOOD, 1998, p.179).
Ser alienado, para a Sociologia, é estar alheio a vida social em muitos de seus sentidos. É deixar de ser agente histórico para ser conduzido por outros... marionetes seria uma boa analogia! O alienado não tem opinião e ação própria... enfim, vida própria. Existe como se vivesse em outro mundo, que não o mundo real... em última instância, uma espécie de alien, típico do filme americano “Alien: o 8º passageiro”, de 1979.
Paralelamente ao alienado, existem os alienantes. Estes de dois tipos: 1. O consciente, quer manter-se no controle dos alienados; 2. Aqueles que inconscientemente aliena os demais indivíduos para serem controlados por terceiros.
Os alienantes do “tipo 1” são aqueles que estão com as cordas de controle dos marionetes de forma consciente e planejada. Aqueles que possuem o controle do alienado; são os manipuladores de fato. O alienante do tipo 1 utiliza-se de vários recursos para impor sua vontade ou ideologia, tais como a mídia, a escola e a religião. O que pode ocorrer de forma tão sutil que o alienado, em sua condição de “desinteresse pelo mundo social”, nem tem consciência de que está sendo controlado.
O alienante do “tipo 2” é típico do indivíduo que é alienado e acredita fielmente que não é. Ele, sem que saiba, retransmite as ideologias dos verdadeiros dominadores. Reproduz os mesmos discursos, a mesma perspectiva do mundo, conduzindo seus ouvintes aos interesses de seus representados, em outras palavras, levando seus ouvintes à alienação; a ficarem sob o comando de terceiros. São típicos desse tipo de alienantes a retransmissão de assuntos fúteis, superficiais e reacionários.
O significado da palavra “alienista”, na psiquiatria, está ligado a alguém que se especializou no tratamento de alienados. Nosso célebre escritor Machado de Assis escreveu um livro sob esse título, “O Alienista”. O alienista de Machado tratava de doentes clínicos. Tomamos, aqui, a liberdade de ampliar tal termo ao campo da Filosofia e da Sociologia. Desta forma podemos apontar a existência do alienado, do alienante e do alienista.
O alienista seria, dentro de nossa delimitação conceitual, aquele que aponta para a existência das cordas do dominador das vontades de outrem; que colabora para que o alienado tenha vida própria; que denuncia a manipulação ideológica.
O alienista é o indivíduo que acredita que é possível que o outro também seja agente da história. Não impõe sua visão de mundo, antes conduz as pessoas as diversas janelas de contemplação de uma mesma realidade social.
Dito isto, retornamos a pergunta inicial: você é alienado, alienante ou alienista?

Referências
SERRA, J. M. Paulo. Alienação. Covilha, 2008.

Allen W. Wood, “Alienation”, in Edward Craig (Org.), Routledge Encyclopedia of Philosophy, Vol. 1, Londres e Nova Iorque, Routledge, 1998, pp. 178-181.
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Quando amadores governam… Tragédia e amadorismo no Brasil*

 

Fico perplexo ao deparar com o amadorismo que abarrota a (de)gestão pública. Seria o Brasil o país do amadorismo?
Li ontem, no portal G1, uma matéria jornalística que, mais uma vez, me deixou perplexo. A matéria inicia-se da seguinte forma:

Após a tragédia que matou mais de 230 pessoas em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, várias cidades do país estão intensificando a fiscalização nas casas noturnas”.

A redação da matéria é suficiente para identificarmos questões absurdas, porém, normais e corriqueiras no “país do amadorismo”.
Nota-se que
após a tragédia” tem-se inicio uma preocupação com a fiscalização. Nesse sentido, fiscalização deixou de ter seu sentido original de prevenção para passar a atuar como juiz: ação punitiva. É como se nas cabecinhas dos nossos (des)gestores estivesse tal pensamento: temos que punir os empresários culpados de tragédias como essa. Tal pensamento sugere que tais empresários constroem suas casas de show do dia para a noite e que importa, agora em funcionamento, serem fiscalizadas. Aff, é de o queixo cair sobre o dedão do pé.
Outro ponto, ou melhor, aberração a ser destacada é que “várias cidades do país estão intensificando a fiscalização nas casas noturnas”. Tal afirmativa induz o leitor a acreditar que trata-se de um número significante de cidades, o que não é verdade. Nota-se ainda que o foco são apenas as casas noturnas, como se as irregularidades fossem centradas apenas ali. Será que precisamos ter novas (que parecem já serem velhas) tragédias para que outras áreas de perigo possam receber fiscalização, ainda em suas construção? Seria necessário, no “país do amadorismo”, ocorrer tragédias em escolas, templos religiosos, circos, parques, rodoviárias, restaurantes, bancos, entre outros lugares de grande público para que haja fiscalização nesses locais?
É de nos deixar perplexo com tanto amadorismo que abarrota a (de)gestão pública (sem entrar aqui no mérito dos subornos tão comuns em casos de fiscalização).
Dizem que o Brasil é o país do futuro. Há nisso um fundo de verdade: por essas bandas precaução não existe, preferimos o futuro... primeiro tragédia depois, só depois, fiscalização... o pior que o depois está ainda em um futuro distante. Por ora algumas poucas cidades passaram fazer uma fiscalização meia-boca. Por isso que ao invés de “país do futuro”, prefiro o adjetivo “amador”.
Por Cristiano Bodart
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Revisão gramatical ou ressignificação do nosso conceito sobre Educação?

A palavra Educação deveria ser verbo e não substantivo. Devendo estar sempre no gerúndio. Poderia ser acompanhada por artigo indefinido e partitivo (não quantificável), como existente em outras línguas. Se assim fosse, entenderíamos sua presença constante e progressiva em nossa vida. Compreenderíamos que trata-se de algo imensurável em sua quantidade e valor.

O verbo educar ao ser representado na fala ou na escrita deveria tomar sempre o formato plural e, quando no infinitivo, impessoal. Dessa forma, expressaria sua essência coletiva e interacionista. Educar é definitivamente um ato que só ocorre entre “eu” e o “outro”, ou entre os “outros”: nunca comigo mesmo... sempre plural, já apontava Paulo Freire!
            Levando ao extremo, na gramática, “mim” como sujeito deveria ter uso proibido na
mesma frase que contenha a palavra educação. Esse “mim” não funciona como sujeito da ação... e a ação é inerente a educação. Da mesma forma, não poderia ser usada juntamente com conjunção coordenada adversativa “mas”. Deveria ser usada apenas com advérbio de intensidade “mais”. Assim ele nunca nos remeteria a adversidade, mas a seu aspecto intensivo e somatório. Compreenderíamos que a educação apenas acrescenta.
            Sabe-se que a palavra educação é feminino. Talvez para fazer alusão à sua capacidade reprodutora. É a única riqueza que quanto mais usamos, mais adquirimos.
            Educação deveria ser conjunção. Assim, entenderíamos que ela cria vínculos e pro   move união. A educação deveria nos tornar mais iguais: humanos! Não deveria ser entendida como medalha que colocada no peito nos torna melhores do que os outros.
            Educação e suas variantes deveriam permitir apenas contração e não junção com prefixos. Dessa forma denunciaria sua capacidade de troca recíproca. É ensinando que se aprende... A educação é marcada pela interação social, o que vai além do mero contato físico. Trata-se de um processo de troca de significados que inicia quando nascemos e termina apenas com o fim do contato com a sociedade, normalmente quando morremos. Por isso, reitero, educação deveria ser gerúndio...
          Será que precisaremos alterar a gramática para entendermos as virtudes da educação?
                                                                                                                                 Cristiano Bodart
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IGREJA DE DEUS

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